Polícia Civil da gestão Cláudio Castro foi a que menos puniu policiais nos últimos 5 anos no RJ

A informação consta em um levantamento realizado pela Corregedoria e obtido pelo portal Metrópole, por meio da Lei de Acesso à Informação

Por Lyandra Alves

Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

De acordo com um levantamento realizado pela Corregedoria e obtido pelo portal Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação, a Polícia Civil da administração do governador Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, apresentou o menor índice de punições a agentes e delegados nos últimos cinco anos.

Durante a gestão do governador Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles em 2018, a Polícia Civil do Rio de Janeiro puniu 27 agentes e delegados. No ano seguinte, sob o governo de Wilson Witzel, esse número aumentou para 29. Em 2020, com a transição de governo de Witzel para Cláudio Castro, apenas cinco agentes e delegados foram punidos. Já nos anos de 2021 e 2022, foram registradas punições a 15 agentes e delegados em cada ano.

Segundo Daniel Hirata, coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF), um dos motivos para a diminuição nas punições na corregedoria da Polícia Civil é a “autonomização” da corporação.

“As polícias do Rio de Janeiro têm se tornado cada vai mais organizações que defendem seus próprios interesses e sem transparência. Não se presta conta para a sociedade, não se responde aos órgãos de controle interno e externos. Não me parece razoável que, com o aumento do número de chacinas, menos policiais sejam punidos”, pontuou Hirata.

Aumento de chacinas

Durante a gestão de Cláudio Castro no governo do Rio de Janeiro, observou-se não apenas uma diminuição no número de punições, mas também um alarmante aumento de chacinas. O estado testemunhou três das cinco chacinas mais mortais de sua história desde a posse de Castro, sendo duas delas protagonizadas pela Polícia Civil: a chacina do Jacarezinho em maio de 2021 e a chacina da Vila Cruzeiro em maio de 2022.

Em 2019, logo após a eleição de Wilson Witzel, a extinção da Secretaria de Segurança Pública resultou na independência das polícias e na criação de pastas individuais para cada uma delas. Essa reorganização teve consequências notáveis, colocando as polícias como entidades autônomas e com poder decisório próprio.

A Polícia Civil não se manifestou sobre o motivo da diminuição de punições na corregedoria.

*Com informações de Metrópoles

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