Fluminense e Boca Juniors, dois gigantes do continente, se enfrentam neste sábado (4), às 17h, em busca do título mais cobiçado da América do Sul. O palco não poderia ser mais icônico: o Maracanã, templo do futebol mundial, será o cenário da grande final da Copa Libertadores da América 2023.
Com ingressos esgotados, a expectativa é de que o estádio se torne um caldeirão, que irá pulsar antes, durante e depois que a bola rolar, com ambas as torcidas prometendo fazer uma festa inesquecível nas arquibancadas. Segundo estimativas da mídia argentina e da torcida xeneize, mais de 100 mil torcedores do Boca estarão presentes na Cidade Maravilhosa. A esmagadora maioria deles, veio sem mesmo ter conseguido ingresso para a partida e deve assistir a decisão no sambódromo da Marquês de Sapucaí, área destinada aos argentinos, onde foi instalado um telão para a transmissão da partida.
Para os tricolores que não conseguiram ingresso, foi montado um telão na Cinelândia, no Centro do Rio, depois que a tradicional concentração de torcedores na sede do clube, no bairro das Laranjeiras, na Zona Sul, para assistir a partida foi vetada pela Prefeitura do Rio, devido à capacidade do lugar, em contraste com a quantidade de tricolores esperados para o evento.
A torcida do Fluzão se frustrou com o repentino cancelamento de uma caminhada histórica que iria acontecer do Estádio das Laranjeiras até o palco da decisão, na Zona Norte, por risco de confronto com a torcida xeneize durante o caminho. Mesmo assim, a massa tricolor, embalada pelo sonho de conquistar a primeira Libertadores, promete ocupar também os espaços ao redor do Maracanã.
Ambos os times possuem histórias opostas na competição. O Boca Juniors possui seis títulos da Libertadores e é o segundo maior vencedor, perdendo apenas para o Independiente (ARG), que possui sete taças. Os xeneizes não são campeões desde 2007, quando venceram o Grêmio e não chegam a uma decisão desde 2018, quando foram superados pelo River Plate. Já o Fluminense, ao contrário, nunca conquistou um título continental, tendo perdido a decisão de 2008 para a LDU.
O confronto
A rivalidade Brasil x Argentina ganha mais um capítulo, sendo este o 16o confronto entre clubes dos dois países na final da Libertadores. O histórico entre Fluminense e Boca Juniors é equilibrado: seis confrontos, com duas vitórias para cada lado e dois empates. No quesito gols, a paridade se mantém: oito para cada equipe.
O Fluminense eliminou o Boca em 2008, nas semifinais, quando chegou a decisão pela primeira vez. No confronto, a primeira partida terminou empatada em 2 a 2 na casa dos argentinos. Já no jogo da volta, no Maracanã, o tricolor saiu vitorioso por 3 a 1, carimbando sua vaga para a final daquele ano.
Em 2012, mais uma vez os dois clubes se enfrentaram, desta vez, tanto na fase de grupos, quanto no mata-mata. Nos dois primeiros jogos, pela etapa inicial da competição, uma vitória dos argentinos no Rio de Janeiro por 2 a 0 e outra dos
tricolores, em plena Bombonera, por 2 a 1. Quando se cruzaram no confronto eliminatório, pelas quartas de final, melhor para o Boca, que ganhou a primeira partida, em casa, por 1 a 0 e conseguiu arrancar um empate na volta, por 1 a 1, nos minutos finais. O resultado classificou a equipe xeneize para a fase seguinte e eliminou os cariocas.
Uniformes
Para a decisão, ambos os times entrarão em campo com seus uniformes tradicionais, uma verdadeira festa para os olhos dos amantes do futebol. O Tricolor carioca vestirá sua camisa verde, branca e grená, enquanto o Boca Juniors trará a emblemática azul e amarela. No gol, Fábio estará de cinza pelo lado brasileiro, e Sérgio Romero, de laranja, pelo lado argentino.
Caminho até a decisão
Na caminhada até a final, ambos os times mostraram sua força. Na primeira fase, o Boca Juniors passou em primeiro no seu grupo, com quatro vitórias em seis jogos. Durante a etapa eliminatória, os xeneizes empataram todos as partidas que disputaram, levando as decisões dos confrontos para as penalidades máximas. Liderado pelo goleiro Romero, foi um verdadeiro “matador” nas disputas de pênaltis, superando adversários como Nacional (URU), Racing (ARG) e Palmeiras.
O Fluminense também foi líder na primeira fase, com três vitórias, em um grupo que contava também com o maior rival da equipe xeneize, o River Plate. Já no mata- mata, o tricolor, com seu jogo ofensivo e seu ataque eficiente, contando com a qualidade e os gols de John Árias, Keno, John Kennedy e principalmente do artilheiro argentino German Cano, despachou Argentinos Juniors (ARG), Olímpia (PAR) e Internacional, com direito a uma virada épica sobre os gaúchos, nos últimos minutos da partida em Porto Alegre.
Destaques em Campo
Pelo lado do Boca Juniors, Valentín Barco é o nome a ser observado. Disputado por gigantes europeus, o jovem promete lances de magia. Edinson Cavani, com sua vasta experiência internacional, e Sérgio Romero, herói nas disputas de pênaltis, completam o trio de destaques xeneize.
O Fluminense, por sua vez, tem em Germán Cano seu principal artilheiro. Com 12 gols na competição, o argentino é a grande esperança tricolor. John Kennedy, jovem talento do time, e Marcelo, com sua capacidade de desequilibrar as partidas e a experiência vitoriosa adquirida no Real Madrid, são outros nomes que prometem brilhar.
Desfalques
Boca Juniors – Marcos Rojo: Suspensão pela expulsão contra o Palmeiras, pelo segundo jogo da semifinal.
Exequiel Zeballos: Com uma lesão no joelho, o jovem atacante de 21 anos, considerado uma das joias do clube e do futebol argentino, só deve retornar aos gramados em 2024.
Fluminense – Gustavo Apis e Jorge estão fora desde o início da temporada, ambos devido a grave lesão no joelho e não possuem previsão para retorno.
Arbitragem
Wilmar Roldán, da Colômbia, será o árbitro principal da final entre Fluminense e Boca Juniors no Maracanã. Ele contará com o auxílio dos colombianos Alexander Guzmán e Dionísio Ruíz nas linhas laterais.
Roldán é árbitro Fifa e tem currículo extenso, com duas Copas do Mundo (2014 e 2018), três finais de Libertadores, em 2012, 2013 e 2014, quando a decisão da competição era disputada em jogos de ida e volta, duas finais de Sul-Americana (2017 e 2022) e a final da Copa América de 2015.
Nesta edição da competição, ele já apitou dois jogos do Fluminense: contra o Sporting Cristal e River Plate, ambos pela primeira fase do torneio.
O VAR será comandado pelo chileno Juan Lara, assistido por Angelo Hermosilla (CHI), Edson Cisternas (CHI) e John Ospina (COL).
Texto: Jorge Guilherme


