A audiência de instrução e julgamento de Carlos Eduardo Tavares de Aquino, estudante de medicina acusado de atropelar e matar sua mãe, Eliana de Lima Tavares, está marcada para esta quinta-feira (12), às 13h. O caso ocorreu em 28 de outubro, na Avenida Francisco Lamego, no bairro Jardim Carioca, em Guarus, distrito de Campos dos Goytacazes (RJ), e está sendo conduzido pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Campos, sob responsabilidade do juiz Adones Henrique Silva Ambrosio Vieira.
O magistrado acolheu a denúncia do Ministério Público e determinou a intimação de testemunhas arroladas pelas partes. Em 13 de novembro, Carlos Eduardo foi formalmente citado para apresentar sua defesa escrita no prazo de 10 dias, sob pena de ter um defensor público nomeado para representá-lo. Além disso, o juiz determinou diligências, incluindo a quebra do sigilo de dados de aparelhos telefônicos apreendidos, para aprofundar as investigações.
Em 8 de novembro, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro concluiu as investigações sobre o caso. De acordo com o delegado Carlos Augusto, da 146ª Delegacia de Polícia, responsável pelas investigações, os resultados das apurações indicam que Carlos Eduardo tinha a intenção de matar sua mãe, e não se tratou de um acidente de trânsito. Seis pontos foram levantados durante a investigação para corroborar essa tese:
1º – As câmeras de segurança mostraram que Carlos Eduardo conduzia o veículo de maneira normal até o momento em que avistou a mãe, que estava com a bicicleta na avenida. Ao perceber a proximidade dela, ele acelerou o carro de forma brusca, o que demonstraria intenção deliberada de atropelá-la.
2º – O local do atropelamento era bem iluminado, conforme atestado pelo laudo pericial, e a visibilidade era suficiente para que o motorista reconhecesse sua mãe, mesmo à distância.
3º – Carlos Eduardo já havia danificado a bicicleta elétrica da mãe em outra ocasião, de maneira intencional.
4º – Após o atropelamento, Carlos Eduardo tentou fugir do local do crime para evitar a prisão em flagrante.
5º – Relatos das vítimas sobreviventes indicam que Carlos Eduardo demonstrou um claro desprezo pela mãe, inclusive após o atropelamento. Ele não prestou socorro e manteve-se indiferente.
6º – O inquérito revelou que havia um histórico de agressões físicas, ofensas verbais e ameaças de morte por parte de Carlos Eduardo contra a própria mãe. Esse comportamento reiterado de violência familiar contribuiu para a caracterização do crime como feminicídio.


