Namorada de adolescente que matou família em Itaperuna também queria matar a mãe, diz polícia

A Polícia Civil do Mato Grosso já ouviu a adolescente; ela foi apreendida, em Água Boa, a 736 km de Cuiabá, nesta segunda-feira (30)

Por Lyandra Alves

Foto: Lyandra Alves

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) confirmou nesta terça-feira (1º) que a namorada do adolescente de 14 anos que matou os pais e o irmão de quatro anos em Itaperuna, no Norte Fluminense, não apenas participou do planejamento do crime como também chegou a cogitar matar a própria mãe.

As informações foram reveladas pelo delegado Carlos Augusto, titular da 143ª DP de Itaperuna, durante coletiva de imprensa realizada na sede da 6ª Região Integrada de Segurança Pública (RISP), em Campos dos Goytacazes (RJ). Segundo ele, as investigações mostraram que a adolescente, que vive no Mato Grosso, teve participação direta antes, durante e depois da chacina.

De acordo com a polícia, a namorada incentivou o crime de forma constante, instigando o adolescente a matar a família para que pudessem, enfim, se encontrar pessoalmente. Ela chegou a dar um ultimato: ou ele matava os pais, ou o relacionamento chegava ao fim. “Foi uma chantagem emocional. Ela disse que só ficaria com ele se ele mostrasse que era homem e fosse vê-la”, afirmou o delegado.

Entre os diálogos analisados no Instagram, um dos trechos mais perturbadores foi o que ela afirma: “Agora só falta matar minha mãe”, após o namorado executar os pais e o irmão.

A polícia descobriu que o casal planejava há semanas como cometer o crime. Falaram sobre usar luvas para manipular os corpos, métodos de matar com arma ou faca, esconder os corpos, e até mesmo o uso de porcos para eliminar vestígios: “Conversaram sobre picar os cadáveres, queimar ou dar para porcos comerem”, revelou Carlos Augusto.

Segundo o delegado, a adolescente chegou a sugerir que o namorado colocasse a arma na mão do irmão caçula, já morto, para simular um crime cometido por ele. Ela também expressou nojo ao ver os corpos e comentou sobre a necessidade de usar luvas para manuseá-los, além de discutir formas de limpar a cena do crime.

O adolescente, por sua vez, demonstrou total frieza. Disse que teve “muito sangue frio” ao matar a família e que fez tudo “por amor” à namorada. Após os assassinatos, ele ainda postou uma foto dos pais mortos sobre a cama.

O casal teria planejado fugir para Mato Grosso. Conversaram até sobre sacar o dinheiro da conta do FGTS do pai da vítima, no valor de R$ 33 mil. “O crime teve duas motivações: a primeira, a proibição dos pais com relação ao namoro virtual; a segunda, a ganância”, disse o delegado.

O delegado foi enfático ao dizer que a jovem, embora não tenha apertado o gatilho, participou ativamente de todas as fases do crime. “Ela não só planejou, como também induziu, instigou e ajudou a tentar acobertar tudo. A responsabilização dela é inevitável”, concluiu.

A Polícia Civil do Mato Grosso já ouviu a adolescente. Ela foi apreendida, em Água Boa, a 736 km de Cuiabá, nesta segunda-feira (30). O jovem também segue apreendido e, segundo o delegado, já passou por audiência com o Ministério Público, que se manifestou favoravelmente pela internação.

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