O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), comunicou a deputados estaduais, na noite desta quarta-feira (10), que manterá a exoneração de Washington Reis (MDB) da Secretaria Estadual de Transportes. A demissão havia sido assinada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), durante o período em que ocupou interinamente o cargo de governador.
Desde então, Castro evitava se manifestar sobre o caso, enquanto era pressionado por diferentes alas políticas para tomar uma posição. Segundo informações confirmadas pelo jornal O Globo, o governador decidiu não reverter o ato de Bacellar após receber alertas sobre possíveis retaliações dentro da Alerj, incluindo a perda de apoio de parte da base aliada.
Na véspera da decisão, Bacellar reuniu mais de 20 deputados estaduais em um jantar para demonstrar força política. O grupo presente incluiu parlamentares bolsonaristas do PL, além de nomes do Republicanos, União Brasil e até da oposição, como a deputada Dani Monteiro (PSOL).
Já na terça-feira, Castro recebeu em reunião integrantes da chamada “tropa de choque” de Bacellar, Alan Lopes (PL), Alexandre Knoploch (PL), Filipe Poubel (PL) e Rodrigo Amorim (União Brasil), além do secretário de Governo, André Moura, que responde interinamente pela pasta de Transportes. Durante o encontro, o governador foi aconselhado a não bater de frente com Bacellar, diante da crescente articulação do presidente da Alerj junto ao Legislativo estadual.
A manutenção da demissão de Reis ocorre mesmo após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter defendido publicamente o retorno do ex-secretário ao governo e sugerido uma mediação entre Reis e Bacellar. A fala do senador, no entanto, irritou o presidente da Alerj, que enxergou na sugestão uma tentativa de Cláudio Castro “terceirizar” a decisão.
A tensão interna levou Castro, segundo interlocutores, a cogitar a suspensão de suas férias, que estavam previstas para começar nesta sexta-feira (12). Na conversa com deputados, o governador foi informado de que tanto o União Brasil, partido de Bacellar, quanto o PP, sigla que deve formar uma federação com o União e poderá ser comandada por Bacellar, apoiavam a saída de Washington Reis do primeiro escalão do governo.
Até o momento, o Palácio Guanabara não se pronunciou oficialmente sobre a decisão.


