De Quissamã para o Paraguai: Jovem pedala por mais de 4 mil km e cruza a fronteira

O produtor de conteúdo digital, Filipe Maia começou a viagem em 2023

Por Rodolfo Augusto

Felipe Maia e Zayra na Foz do Iguaçu. Foto: Felipe Maia

O quissamaense Luiz Filipe Souza Maia, de 23 anos, conhecido como Filipe Maia concluiu no último dia 11 de agosto um feito que ninguém antes havia realizado, ele atravessou a fronteira com o Paraguai após ter saído de Quissamã de bicicleta. De acordo com o cicloviajante, a viagem teve uma distância de mais de 4 mil km. A aventura, que durou dois anos entre pausas e retornos para casa, começou em julho de 2023. A viagem estava planejada para ser feita após a conclusão do ensino superior em Sistemas de Informação, no IFF Campus Centro de Campos, mas decidiu antecipar, pois sentia que precisava “viver a vida”.

“Trabalhava de casa, era uma vida que eu queria, trabalhar e estudar programação, mas me vi como um passarinho na gaiola, eu estava na engrenagem e senti que precisava evoluir, precisava viver a vida, então a viagem que seria ao fim do curso, foi antecipada”, relata o artista.

Filho do guarda civil municipal, Marcos Chagas, 44 e da servidora pública, Flávia Cristina, 43, Filipe cresceu em Quissamã (RJ), estudou em escolas públicas e formou-se no ensino médio com curso técnico em informática, pelo IFF Campus Quissamã. Em 2021, mudou-se para Campos dos Goytacazes para cursar Sistemas de Informação e trabalhar como desenvolvedor de software mobile, uma vida que ele sonhava.

Mas, em março de 2023, uma sensação de aprisionamento fez com que Filipe tomasse a decisão de sair do emprego e da faculdade para viver na estrada. “Eu me sentia como um passarinho na gaiola. Decidi antecipar a viagem que faria só no fim do curso”, relembra.

Inspirado pelo viajante Jesse Koz (@shurastey_), que conheceu em 2019 e cuja trajetória de simplicidade e liberdade marcou sua visão de mundo, Filipe iniciou a jornada de mochila, atuando como voluntário em hostels. Quinze dias depois, percebeu que queria viajar de bicicleta, meio de transporte que o acompanhava desde a infância.

O ponto de partida foi Quissamã, em 19 de julho de 2023. Pelo litoral do Rio de Janeiro, seguiu até Paraty (RJ), de onde iniciou o Caminho Velho da Estrada Real até Ouro Preto (MG). De lá, pedalou pelo interior de São Paulo e Paraná até chegar em Foz do Iguaçu, passando por serras, cachoeiras e comunidades acolhedoras.

Entre as histórias que coleciona, estão noites em hotéis oferecidos por ciclistas solidários e outras passadas em rodoviárias ou ao relento.

“Viver esse universo é inexplicável, num dia você pode ganhar café com bolo e dormir num hotel que um ciclista te fortaleceu, ou dormir numa rodoviária, sem dinheiro e ainda ser convidado a se retirar de um parque público por preconceitos”, fala o aventureiro.

Em Lagoa da Prata (MG), durante a viagem, ganhou uma nova companheira, Zayra, uma cadela que apareceu e não saiu mais do seu lado. Desde então, ela o acompanha em cada quilômetro percorrido.

“A Zayra me adotou em Lagoa da Prata-MG, já estava a alguns dias na cidade e então ela apareceu na praianha onde eu me reunia com amigos que conheci e meu coração amoleceu. No outro dia, ela apareceu novamente e fez amizade até com um macaco prego, os amigos colocaram pressão, escolhemos o nome juntos e então decidi convidar ela pra barraca, entrou, dormiu e então virou família”, diz o produtor.

Agora, com o apoio da Associação Ciclista Cataratas do Iguaçu, Filipe se prepara para o próximo desafio: cruzar a Argentina, passando pelo Uruguai e chegar até Ushuaia, no extremo sul da América Latina.

“Quero chegar no verão, quando as temperaturas não são tão baixas. Vai ser mais um grande capítulo dessa aventura que mudou minha vida”, projeta o cicloviajante

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