Entenda por que Ucrânia recebeu nota maior que o Brasil e levou o ouro da série mista no Mundial

Conjunto europeu teve avaliações superiores na maioria dos quesitos, enquanto equipe brasileira foi melhor na parte artística. Veja explicações de comentaristas de ginástica rítmica

Por Rodolfo Augusto

Foto: Agência GOV

O título mundial da série mista (três bolas e dois arcos) do conjunto ficou só a 0.1 de distância. Essa foi a diferença entre as notas da vencedora Ucrânia e do Brasil, medalhista de prata no Mundial do Rio de Janeiro. Avaliações tão parecidas levantaram discussões sobre os critérios dos juízes, especialmente quando torcedores apontaram falhas na apresentação ucraniana e saudaram as brasileiras aos gritos de “é campeão”. O ge, então, explica as razões pelas quais a equipe europeia levou vantagem na disputa na quadra da Arena Carioca 1, no Rio de Janeiro, na tarde de domingo (24).

Para iniciar, vale entender o que é observado para definir os resultados dos conjuntos. Cada equipe parte de uma nota de dificuldade, baseada em critérios da Federação Internacional de Ginástica (FIG), levando em consideração o que as atletas precisam fazer com o corpo e os aparelhos durante as séries. Somam-se a isso as avaliações de execução (aqui entram deduções por eventuais quedas, por exemplo) e parte artística, mais voltada à expressividade das competidoras.

– Nosso artístico é maior, a execução ficou um pouquinho mais baixa, mas as ucranianas fizeram meio ponto a mais na nota de dificuldade corporal e 0.300 a menos na dificuldade do aparelho. Isso deu a elas uma vantagem de 0.200 na dificuldade total. Analisamos as trocas, os riscos, e o risco individual delas é de valor bastante alto. Foram detalhes que fizeram a diferença – explicou a comentarista Renata Teixeira, durante transmissão do sportv2.

E quanto à execução da série da Ucrânia, com nota superior à do Brasil? A também comentarista Juliana Coradine entende que os erros das europeias não justificariam descontos maiores do que os aplicados pela arbitragem. Logo no início da apresentação, uma das atletas quase deixou a bola cair, mas conseguiu impedir que o aparelho tocasse na quadra.

– A Ucrânia fez uma série cravadinha. Elas passaram muito bem pelo conjunto misto. Tiveram pequenas imprecisões, mas nada que comprometesse tanto a nota. A série tem um grau de dificuldade muito alto, e as meninas conseguiram fazer uma boa coreografia. Vimos uma limpeza corporal. Ficamos na adrenalina esperando o ouro para o Brasil, mas a Ucrânia passou muito bem – afirmou Juliana, ao sportv2.

Ainda vale destacar que um conjunto só pode pedir revisão da própria nota. Ou seja, as brasileiras não conseguiriam questionar a avaliação das ucranianas junto à arbitragem.

Mesmo que o ouro não tenha chegado, o desempenho do Brasil precisa ser valorizado. O conjunto conquistou as duas primeiras medalhas da história do país em Mundiais – além da prata na série mista, veio outra na prova geral, no sábado (23). Resultados importantes no presente, mas que também já alimentam uma esperança para o futuro.

– Ir ao pódio (no Mundial) nos dá mais gás. Já vínhamos fazendo história e agora concretizamos o Brasil como uma potência mundial. Somos o segundo melhor país do mundo. Começamos muito bem o ciclo. Temos combustível para melhorar cada vez mais e chegar aos Jogos de Los Angeles para buscar a tão sonhada medalha olímpica – projetou a ginasta Nicole Pircio, titular do conjunto verde e amarelo.

Fonte: GE

Compartilhar:

RELACIONADAS

NOTÍCIAS