Rio de Janeiro – Um convite convite a uma jornada de redescoberta da herança dos povos
de língua do tronco Bantu na formação sociocultural do Brasil. Esse é o principal objetivo da
exposição “Kitanda”, que estreia nesta quarta-feira no Museu Histórico de
Campos.
O projeto, que traz obras dos artistas Huriah e Murilo DoMeio, ilumina a contribuição,
muitas vezes subestimada, desses povos na religião, língua, dança e culinária do país.
Idealizada para ser uma imersão, o Kitanda em parceria com o Museu Histórico de Campos,
utilizará de maneira inédita o segundo andar das exposições permanentes para as
instalações das obras.
Apesar de terem constituído o estrato majoritário dos africanos escravizados traficados para
o Brasil – cerca de 75% do contingente total – a influência bantu foi historicamente
minimizada no que tange a valorização e/ou estudos em comparação à outros matizes
culturais e étnicos que contribuíram para a formação do Brasil. “Falar de cultura dos povos
Bantu é também falar de Campos e do Norte Fluminense. Nossa região, como uma das que
mais recebeu escravizados traficados para o Brasil, guarda em sua matriz cultural, muitos
desses elementos legados pelos povos do tronco linguístico Bantu. Essa exposição é uma
provocação à reflexão sobre como devemos enaltecer, estudar e valorizar este componente
central da nossa matriz sociocultural. Os povos bantus influenciaram de forma definitiva o
que se entende como povo brasileiro.”, analisa Ianani Dias, produtora-executiva e mestre
em desenvolvimento regional pela UFF.
A mostra destaca como, no dia a dia, a “alma bantu” se manifesta de forma inconteste,
presente na língua e em costumes. O português brasileiro, marcadamente moldado por
línguas como o quimbundo, quicongo e umbundo traz consigo no dia a dia palavras
moleque, bunda, samba e quilombo que são apenas alguns dos centenas de termos de
origem bantu que enriqueceram o vocabulário nacional. Na gastronomia, ingredientes como
quiabo, fubá e feijão fradinho são heranças culinárias que se tornaram fundamentais na
mesa do brasileiro.
Além disso, a exposição aborda a cosmovisão bantu e sua influência na religiosidade
brasileira. O documento “Os Bantus no Brasil” sugere que essa matriz cultural serviu de
alicerce para manifestações como o Candomblé de Nação Angola e a Umbanda, além de
festividades como o jongo e as congadas. A exposição “Kitanda” celebra a resiliência e a
vitalidade desse legado que se manifesta em nossa contemporaneidade.
Fonte: ASCOM


