A violência contra a mulher registrou números alarmantes nas regiões Norte e Noroeste Fluminense em 2023, conforme revela a 19ª edição do Dossiê Mulher 2024, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Somente no ano passado, 140.910 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência no estado do Rio de Janeiro, e uma parcela significativa desses casos ocorreu no interior do estado. A Região Norte Fluminense contabilizou 7.114 vítimas, o que representa 5% do total estadual, enquanto a Região Noroeste registrou 3.173 vítimas, equivalente a 2,3% do total. Entre os municípios analisados, Campos dos Goytacazes se destaca negativamente, figurando entre os que mais concentram registros de violência contra mulheres em diferentes categorias de crime.
Em Campos, os números impressionam. Em 2023, o município registrou 940 casos de violência física, 765 de violência moral, 216 de violência patrimonial, 1.385 de violência psicológica e 174 de violência sexual. A predominância da violência psicológica segue a tendência observada em todo o estado, fenômeno explicado no dossiê como resultado de maior identificação das vítimas e maior visibilidade desse tipo de violência, que vem superando outras modalidades há três anos consecutivos. Ainda no cotejo regional, a violência patrimonial atingiu 399 mulheres no Norte Fluminense em 2023, sendo essa a terceira região com maior número absoluto de casos. Quando analisadas as taxas por 100 mil mulheres, o Norte registrou índices de 41,8 para dano, 1,2 para supressão de documento e 39,9 para violação de domicílio, indicando um cenário persistente de vulnerabilidade.
A violência sexual também apresentou números preocupantes. O Norte Fluminense registrou 12,5 estupros por 100 mil mulheres, além de 44,5 estupros de vulnerável por 100 mil mulheres em 2023 (pág. 101 ). Já os casos de lesão corporal dolosa, embora relativamente menores quando comparados às demais regiões, somaram 908 vítimas, sendo a segunda menor taxa do estado, com 18,8 casos por 100 mil mulheres. Em contraste, os indicadores de feminicídio e tentativa de feminicídio revelam um cenário mais grave. A Região Norte Fluminense apresentou taxa de 1,9 feminicídios por 100 mil mulheres e 4,6 tentativas, enquanto o Noroeste registrou 1,2 feminicídios e uma das maiores taxas de tentativa: 6,6 por 100 mil mulheres.
Os dados do Disque Denúncia reforçam a gravidade da situação em Campos dos Goytacazes. Entre 2019 e 2023, o município foi o único fora da Região Metropolitana a aparecer entre os que mais registraram denúncias no serviço, comprovando tanto a demanda reprimida quanto possível maior acesso e conscientização da população. O dossiê também destaca a estrutura de atendimento às mulheres vítimas da violência no município, onde funcionam a Subsecretaria Municipal de Políticas para Mulheres e o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), ambos localizados na Rua dos Goytacazes, nº 257, no Centro, reforçando o papel de Campos como polo regional de acolhimento.
Os dados apresentados pelo Dossiê Mulher 2024 evidenciam que a violência contra a mulher permanece enraizada e de alta incidência no Norte e Noroeste Fluminense. Campos dos Goytacazes, embora apresente algumas taxas inferiores às de outras regiões do estado, concentra números absolutos elevados que reforçam a necessidade urgente de políticas públicas contínuas. A ampliação da rede de apoio, investimentos em prevenção, fortalecimento das investigações e programas de capacitação e proteção às vítimas surgem como caminhos fundamentais para reverter o cenário revelado pelo estudo.


