Ingenuidade radical e suicida

Na política, alianças mudam rápido, promessas envelhecem cedo e o poder costuma falar mais alto que o discurso

Por Rodolfo Augusto

Movimento iniciado nos Estados Unidos levou a antecipação da prisão de Bolsonaro, além do aumento da sua pena, diz o articulista; na imagem, manifestantes estendem bandeira dos EUA na Paulista no Dia da Independência do Brasil

Todo radicalismo tem um tanto de ingenuidade, pois acabam achando que por essa via, vai se conseguir impor os seus ideais, ou obter as mudanças que desejam, pela via da pressão, seja usando as ruas, seja usando o Judiciário, seja pela utilização de elementos de pressão externos, nesse caso o poder da maior nação do mundo.

Agora, a situação fica mais séria, quando esse radicalismo se transforma quase em suicídio, como temos visto ultimamente no país, chegando ao cúmulo de terminarmos o ano na tempestade perfeita contra os ideais de quem promove os atos radicais, na parte da direita, associados aos atos de utilização do poder de estado em prol do lado esquerdo na disputa.

Nunca na história desse país, se usou e abusou de tantos benefícios eleitoreiros, associados a novas promessas eleitorais, que se forem implementadas no futuro, poderão não só abalar o pais, como afetar o futuro das próximas gerações. Eu já havia dito anteriormente, que se fosse Bolsonaro a praticar os mesmos atos no seu governo, praticados pelo atual governo, certamente teria uma reação tão forte, que dificilmente a sua candidatura a uma reeleição subsistiria, sem uma provável impugnação da Justiça eleitoral. Mas como tudo é motivo para que se enterre qualquer perspectiva de retorno de Bolsonaro, ou alguém da sua família, tudo é válido, nada é contestado, e nem será, tudo será normalizado como preservação da democracia.

Agora mesmo diante do massacre, envolvendo a máquina pública, mídia e Judiciário, não se pode errar tanto como se erram. Aliás, esses erros vêm desde o próprio governo de Bolsonaro, quando se agia se preocupando muito mais com o discurso para agradar as bases radicais, do que mostrar o que o seu governo tinha de bom, e merecia a reeleição. Com esse discurso idiota, que não conquistava 1 voto, vindo desde a pandemia, a contestação de uma urna eletrônica, que tinha sido responsável pela sua própria eleição, além de confrontos desnecessários, como o ocorrido nas manifestações do 7 de setembro de 2021, onde parecia que se buscava enfrentar o Judiciário com o apoio popular, e não com o direito, dando a entender que quem estava no poder era a oposição a ele, não ele. Tudo isso foi levando a radicalização das posições, terminando, mesmo que por pequena margem de votos, entregando o poder para os petistas fazerem de novo tudo de errado que faziam antes, agora com apoio do sistema, que se via com a necessidade de se livrar daquele ambiente horrível, criado pelo discurso radical absolutamente desnecessário. Veio a derrota, o enfrentamento do resultado de forma equivocada, levando a tudo que estamos assistindo hoje.

É certo que não houve nenhuma tentativa de golpe, mas existe o erro de ter permitido esses acampamentos de doidos, querendo buscar não sabemos o que, para evitar o novo governo de petistas. Tanto Bolsonaro deveria ter evitado isso, como Lula ao assumir, não poderia ter deixado nem um minuto a mais a presença dessas pessoas acampadas, a não ser que o seu plano fosse aguardar um possível 8 de Janeiro, a semelhança do ocorrido no Capitólio norte-americano patrocinado por Trump, em situação semelhante a Bolsonaro.

Era bem previsível que isso poderia acontecer, ainda mais depois que Bolsonaro saiu do país, para não passar a faixa para o seu adversário. O resultado todos já sabem, assim como as consequências, a maioria absolutamente injustas, porque era um bando de aloprados, quebrando tudo, sem armas, sem qualquer condição de dar um golpe. Eram loucos, que mereciam sim uma dura punição, mas longe da punição que estão tendo hoje, pela interpretação de se tratar de uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Fonte: Poder 360

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