O Presépio: olhar o mundo com a inocência e o maravilhamento de uma criança

O Papa Francisco na Carta Apostólica Admirável Signum, aponta não somente sobre o profundo significado simbólico desta lembrança singular do Natal, mas para a experiência de Francisco de Assis ao inventá-lo como uma representação viva deste acontecimento

Por Rodolfo Augusto

Foto: Diocese De Campos

Um ponto certamente intenso e alegre da espiritualidade e pedagogia natalina é a preparação do Presépio em casas, escolas, prédios, praças e outros tantos lugares. O Papa Francisco na Carta Apostólica Admirável Signum, aponta não somente sobre o profundo significado simbólico desta lembrança singular do Natal, mas para a experiência de Francisco de Assis ao inventá-lo como uma representação viva deste acontecimento. De fato somos convidados a deixar de lado nossa visão cansada e por vezes cética para reviver num exercício de imaginação profética o clima do primeiro Natal.

Como os pastores, andarilhos e povo sem teto, animados pela mensagem celestial, nos colocamos a caminho e na busca do Deus Criança que nasceu para nos salvar. E caminhamos ao lado de outras criaturas, ovelhas, bois, cordeiros, pássaros e cachorros, que nos inserem na fraternidade cósmica de toda Criação que exulta também com a chegada do Esperado das Nações. Também como os sábios do Oriente nos desvencilharmos de seguranças e narrativas mesquinhas para, seguindo a luz da estrela da fé, encontrar o Deus Emanuel. Notamos que não apenas trata-se de fazer ou montar um presépio, porém de sair de nós mesmos para ir ao encontro de Jesus Menino, tornando-nos novamente crianças, com a pureza de coração e com os olhos abertos para o inusitado, com as surpresas e a imprevisibilidade de um Deus apaixonado que não só nasce no meio de nós,  entretanto sorridente nos abraça, desconstruindo nossas armaduras, bloqueios e ressentimentos.

Quem dera que pudéssemos hoje tornar cada cidade um Belem Natalino, não só pela iluminação, ou pelas músicas de Natal, mas pela bem querência, fraternidade e ternura de todos os vizinhos e moradores, que cada lar mesmo os condomínios se transformassem em  hospitalidade, lugares de acolhida, aproximação e reconciliação. Nunca esqueçamos que o Natal é a festa da verdadeira vida, do recomeço, da sororidade e partilha, consequências e efeitos maravilhosos da encarnação do nosso Deus. Somos humanos, uma só família porque todos nascemos também na Gruta de Belém, no Presépio e na manjedoura, porque nos tornamos irmãos e herdeiros no Filho de Deus, Jesus Nosso Senhor. Deus seja louvado!

+ Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

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