“Estai sempre prontos a responder a todos os que vos perguntarem sobre aesperança que há em vós” (1 Pe 3,15)

Na conclusão da Oração Universal dos Fieis o Presidente, suplica que respondendo ao desejo de converter-nos, nos tornemos em autênticas testemunhas do Evangelho, o que supõe um verdadeiro comprometimento com uma evangelização encarnada e profética

Por Rodolfo Augusto

Foto: Diocese De Campos

Com estas palavras extraídas da Primeira Carta de Pedro, capítulo 3º, versículos
15 e seguintes, que motivam a despedida do Povo de Deus no rito de encerramento nas
Igrejas Particulares, pelo Diácono, queremos expressar as alegrias pelos copiosos frutos
e graças recolhidas neste abençoado Jubileu, Peregrinos da Esperança. Como está
registrado também na monição inicial de introdução do rito, o Bispo que preside
agradece pela união com aqueles que muitas vezes não tem voz perante os homens, mas
que o Pai escuta e reconhece como seus filhos prediletos: os doentes, as pessoas, idosas,
os presos, os pobres (e nesta última categoria poderíamos mencionar os migrantes, os
refugiados, os moradores de rua, os despojados de suas terras, os indígenas).


Na conclusão da Oração Universal dos Fieis o Presidente, suplica que
respondendo ao desejo de converter-nos, nos tornemos em autênticas testemunhas do
Evangelho, o que supõe um verdadeiro comprometimento com uma evangelização
encarnada e profética. Agora fazendo ecoar mais as experiências pastorais, missionárias,
e de presença ecumênica e intercultural do Jubileu em nossas dioceses e comunidades
eclesiais, gostaria de partilhar e dar relevância a Cruz processional do Jubileu nas
diversas Regiões e Dioceses, que inspirada pela logomarca deste acontecimento, foi um
sinal esperançador que convocou e transformou as concentrações e peregrinações
aprofundando a piedade popular, assumindo as dores, labutas e sofrimentos de nosso
povo no horizonte do Reino.


Em nosso Regional Leste 1 da CNBB foi confeccionada uma Cruz vazada com a
configuração e semelhança da Cruz de São Cosme e Damião, que impulsionou a São
Francisco a reforma da Igreja. Cada Diocese do Regional acrescentou nela uma pequena
cápsula de acrílico contendo um pequeno sinal de desesperança (um lenço com a cor do
sangue, uma miniatura do feto símbolo do movimento da defesa pela vida, um caule
queimado, uma cápsula de bala, e assim por diante) símbolos da violência e destruição
contra a vida que deveriam atravessar pela Cruz para ser transformados em esperança de
uma vida nova liberta e restaurada. Nas peregrinações aos santuários e Igrejas jubilares,
houve muita participação, que manifestaram a demanda por salvação para toda a terra e
suas criaturas, de pão, teto e trabalho para todas as famílias. Mas a Cruz visitou também
hospitais, escolas e presídios, assentamentos, lugares que precisavam ser tocados pela
luz, misericórdia e amor do Deus da esperança.


Enfim, como dizia São Agostinho as filhas da esperança: a indignação e a
coragem, não nos permitiram acomodar-nos a meras rotinas religiosas mas torná-las
êxodo, saída, e transformação em nossas romarias, fazendo crescer a esperança que não
decepciona, engana ou confunde. O sonho não acabou, pois sonho sonhado por muitos
muda a realidade e constroi o Reino, tornamo-nos uma Igreja que caminha na
esperança, abre caminhos, ampliando a tenda e nossos horizontes. Deus seja louvado!


+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 30 de Dezembro de 2025.

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