Celebrar a memória festiva do Padroeiro da nossa baixada, Santo Amaro, e percorrer e reavivar o seu carisma e caminho. Um caminho marcado e inspirado na cura do ser, em todas as suas dimensões: o milagre de salvar a Plácido das águas do afogamento é salvar hoje nossa vida da faltado sentido, da fragmentação, da nossa separação da Terra que responde com maremotos, tsunamis e furacões a poluição das fontes da vida.
O milagre de reunir a foice que havia caído do seu cabo do religioso bárbaro que estava desesperado sem seu instrumento de trabalho, a cura e libertação de um trabalho que aliena, que sufoca ou ainda com o mal uso da IA que nos substituiu e nos desemprega massivamente. As diversas curas de visão, nos ombros, pernas, e feridas que nos levam a retomar a inteireza e a plenitude do ser, expressão da saúde e sanação integral. Caminho de comunhão, que se faz junto, partilhando e aprendendo a servir e amar como fez Santo Amaro com seus colegas de caminhada, Simplício, Antônio, Constantino e Fausto, gerando comunidade e convivialidade.
Por último e não menos importante que se visibiliza e constata na cavalgada de Santo Amaro que representa e simboliza as lutas históricas dos mouros e cristãos, junto a busca da reconciliação e amizade entre os grupos em conflito. Evento cultural aberto ao futuro que mostra a esperança de pactuar a paz, selar a concórdia e o entendimento cordial, superando o choque das civilizações passando para a Aliança dos povos e culturas, partilhando os bens da Terra na paz e na justiça. Que Santo Amaro nos torne cavaleiros, peregrinos e artesãos da paz deixando para trás a cultura da morte, da guerra e do descarte. Santo Amaro rogai por nós!
Campos dos Goytacazes, 11 de janeiro de 2026
+ Dom Roberto Francisco Ferrerìa Paz
Bispo Diocesano de Campos
