Segue a trompeta do Trump

O presidente dos EUA Trump é isso aí; gostem ou não do seu estilo, não mudará. Completará 1 ano com muita confusão, morde e assopra, misturando paz e guerra como se mistura café com leite...

Por Giovana Velasco

Foto: Reprodução

Mostrando bem a que veio, Trump surpreendeu a todos, logo ao fim do primeiro dia útil do novo ano, simplesmente fazendo uma operação militar cirúrgica, com o objetivo alcançado de capturar o ditador venezuelano, Nicolas Maduro.

Maduro capturado, junto da mulher, levado em parcos segundos da sua fortaleza, acabou enjaulado, algemado dos pés à cabeça, em uma situação humilhante.

Ele foi apresentado a Justiça americana, perante a um juiz em NY, logo em seguida, que simplesmente manteve a ordem de prisão contra ele, marcando uma nova audiência somente para o dia 17 de março.

Havia um prêmio pela sua captura de U$ 50 milhões, em função de uma denúncia contra ele, por supostamente participar e liderar o narcotráfico do seu país, em direção aos Estados Unidos.

Diga- se de passagem, que esta ordem de captura de Maduro, não foi por iniciativa de Trump, sendo na realidade essa situação vinda desde 2020, tendo inclusive por iniciativa do ex-presidente Joe Biden, em um dos seus últimos atos de governo, no dia 10 de janeiro de 2025, um aumento da recompensa pela captura de Maduro, passando naquele momento para U$ 25 milhões.

Depois Trump quando assumiu a presidência, aumentou essa recompensa para os atuais U$ 50 milhões prometidos.

Trump ficou ameaçando por bastante tempo invadir a Venezuela, mandando uma força armada descomunal para as cercanias da Venezuela, esperando que pela simples ameaça, Maduro acabaria deixando voluntariamente o seu país, buscando um autoexílio, visando a não ser preso, em uma condenação que poderia levá-lo a uma prisão perpétua, dentro dos Estados Unidos.

Maduro não cedeu, acabou sendo vergonhosamente capturado como um bandido qualquer, não se sabendo quantos mortes ocorreram nessa sua captura, falam em dezenas de seguranças cubanos, a serviço do ditador.

Houve muita euforia pelo mundo que aprecia a democracia, muitos memes na internet, com sugestões para que Trump fosse também a outros países, capturando outros chefes de estado.

Trump até ameaçou diretamente ao Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que se insurgiu contra a captura de Maduro. Trump chegou a dizer claramente: “ ele será o próximo”.

Muitas dúvidas surgiram dessa iniciativa de Trump, algumas delas sanadas após o apoio para, que a atual Vice-Presidente da Venezuela, Delcy Rodrigues, que estava fora do país na hora da captura de Maduro, assumisse a presidência.

A primeira dúvida, é que se Maduro estava ilegitimamente no poder, através de uma eleição fraudada, a vice também não estava da mesma forma ilegitimamente?

A segunda dúvida, veio com o descarte de Trump da líder oposicionista Maria Corina Machado, recentemente aquinhoada com o prêmio Nobel da Paz, alegando que ela não teria o respeito dos venezuelanos para comandar o país.

Ora como ela não teria o respeito, se ela conduziu a eleição, fraudada por Maduro, tendo vencido através do seu candidato escolhido, já que Maduro a impediu, de forma antidemocrática, que concorresse no pleito.

Será que essa declaração, não teria sido uma espécie de vingança de Trump de ter perdido o prêmio Nobel para ela?

A terceira, e não menos importante, dúvida, será que Trump fez acordo prévio com o grupo da Vice, cujo irmão é o presidente da Câmara dos Deputados de lá?

Eu acho que houve sim acordo prévio, pois não faz o menor sentido, a facilidade com que Trump chegou até Maduro, sendo abatidos apenas os seguranças que não eram venezuelanos.

Estranho que os demais expoentes do poder venezuelano tenham sido totalmente preservados, dentre eles, quem realmente manda por lá, o atual ministro da Segurança, Diosdado Cabelo.

Eu relato no meu livro, “ Tchau querida, o diário do impeachment”, passagens de visita desse ministro, à época o Presidente da Câmara dos Deputados da Venezuela, escoltado por ninguém menos que Joesley Batista, hoje o grande articulador internacional de Lula, apesar de tê-lo delatado no passado.

Joesley, naquele momento, patrocinava a viagem de Diosdado, com o seu avião, além dele mesmo levá-lo a Lula, naquele momento fora da Presidência, pois estávamos no governo Dilma.

O Onipresente e negociador Joesley, foi quem também esteve recentemente na Venezuela, tentando convencer a Maduro, para deixar o poder na Venezuela de forma negociada, sem sucesso.

O Secretário de Estado americano, Marco Rúbio, inclusive declarou após a captura de Maduro, que os Estados Unidos ofereceram diversas propostas de salvação a Maduro, talvez, dentre elas, a proposta levada por Joesley, quem sabe em concordância entre Trump e Lula.

Não parece restar qualquer dúvida, que Maduro foi entregue pelo regime venezuelano para se preservar, daí a retórica de Trump de que tem de haver uma transição, conduzida pela também produto de fraude eleitoral, a atual Vice-Presidente.

Eu assisti a um vídeo na internet, que sumiu depois, não sabendo se era fruto de inteligência artificial, ou um vídeo real, onde Maduro, na hora da sua prisão, fala para a sua mulher, também presa, que eles não poderiam ter confiado nos irmãos Rodrigues, no caso a Vice e o seu irmão, o atual Presidente da Câmara dos Deputados da Venezuela.

Real ou fictício, esse vídeo parece expressar o que realmente ocorreu, a traição que o ditador sofreu, seja pela manutenção do poder do sistema de lá, seja pela recompensa da sua captura, que alguém pode ter recebido.

Em seguida, depois de algum tempo, onde todos esperavam que Trump fosse ser o libertador da opressão da Venezuela, aparece o seu apoio a Vice, com uma negociação de petróleo, onde Trump chega até mesmo a anunciar, que teria suspendido um segundo ataque a Venezuela, porque a nova Presidente estaria cooperando com os Estados Unidos.

Ela ao que parece, será até mesmo recebida na Casa Branca, assim como Trump depois da repercussão negativa, resolveu também convidar a líder oposicionista Maria Corino, para uma conversa na mesma Casa Branca.

Ninguém falava da libertação dos presos políticos, até que depois da repercussão da situação de conchavo de Trump com a ditadura venezuelana, resolveram soltar os presos, ao menos em anúncio público, não se sabendo se a totalidade dos presos foram soltos ou não.

A Constituição Venezuelana, não prevê a sucessão do presidente pelo vice, mas sim uma nova eleição, para preenchimento do cargo, em um período de 30 a 180 dias, segundo o divulgado.

Não marcar nova eleição por lá, é mais um golpe de estado, para manter uma Presidente ao arrepio da lei, de forma tão ilegítima, quanto era a manutenção do ditador capturado.

Além dessas dúvidas, muitas outras persistem, já que Trump foi muito pouco contestado pela sua ação.

Será que a Rússia já se deu por satisfeita, com a solução encaminhada para a sua guerra com a Ucrânia, onde Trump joga para favorecê-la?

Será que a China já está programando a retomada de Taiwan, com a aquiescência de Trump?

Porque a Europa, com exceção da Alemanha, pouco reclamou, ainda mais que Trump para desviar o foco, já está ameaçando a tomada da Groenlândia?

Será que Trump quando cedeu a Lula o fim das sanções, e a revogação de parte do tarifaço, também não negociou alguma vantagem que não é de conhecimento público, podendo ser vergonhosa para a nossa soberania?

Será que Lula também não concordou em trair o seu amigo ditador Maduro?

Para quem Joesley Batista estava trabalhando nessas articulações?

É bom esclarecer, que a iniciativa do processo judicial contra Maduro, nos Estados Unidos, se deu após a prisão e delação premiada do chefe da inteligência da Venezuela, que teria entregue provas da participação de Maduro no narcotráfico, assim com teria supostamente entregue as doações para as campanhas de esquerda na América do Sul, patrocinadas por Maduro, incluindo supostas doações para campanhas brasileiras.

Não sabemos se esses fatos são verdadeiros, ou são simplesmente fofocas, mas se forem verdadeiros, Trump tem uma grande arma de pressão, que pode ter sido usada para aquietar a reação da esquerda por aqui.

Trump, como já falamos por diversas vezes, é um homem de negócios, visando única e exclusivamente o benefício econômico do seu país, na sua visão, que nem sempre pode até mesmo ser a melhor visão, de outro lado americano, de acordo com os objetivos de cada um.

Trump não tem ideologia alguma, apenas milita no campo que lhe abriu as portas para o seu desenvolvimento político, torcendo obviamente por esse campo, mas não se importando pelo resultado político, apenas pelo resultado econômico que conseguir obter.

Ingênuos foram aqueles, que apostaram na militância de Trump para reverter a situação política no Brasil, fazendo o jogo da esquerda brasileira, que sobrevive hoje apenas por essa ingenuidade.

Trump é isso aí, gostem ou não do seu estilo, ele não mudará, completará um ano dia 20, com muita confusão, de morde e assopra, misturando paz e guerra, como se  mistura café com leite.

Mesmo o discurso da vantagem da retomada do petróleo, objeto da cassação das concessões das empresas americanas, feitas por Hugo Chavez, logo no início desta ditadura, herdada por Maduro, parece que não prosperará.

As próprias empresas americanas, não vão retomar o investimento, apenas pela vontade de Trump, simplesmente porque se demandam bilhões de dólares de investimentos, sem garantia de retorno.

Existe uma insegurança jurídica no processo, além de uma incerteza de retorno econômico do investimento, já que o custo de extração do petróleo venezuelano é alto, sendo um petróleo viscoso, específico, que depende de preço elevado no mercado internacional, para ter retorno, apesar de terem a maior reserva do mundo.

Dificilmente uma empresa americana vai dispender bilhões, para conseguir receber de volta, quando Trump não mais existir, deixando a sensação de que Trump quer mesmo é controlar o fluxo da atual produção venezuelana, que está na sua maior parte destinada a China, a preços baixos, deixando os chineses dependentes dos americanos, no suprimento de petróleo.

Isso sem contar, que a Venezuela estava ameaçando tomar a produção da Guiana, que parece ser a nova maior reserva do mundo.

Ou seja, Trump age estrategicamente no enfrentamento dos chineses, no campo econômico, impedindo que o seu quintal se tornasse o quintal da China.

Para isso, o Brasil também é importante, pois além de estar no quintal de Trump, tem uma produção de petróleo, hoje maior que a venezuelana, apesar de não ter a mesma reserva, sendo uma alternativa de fornecimento aos chineses.

Aliás a China já está dominando o fornecimento de alimentos através do Brasil, não podendo também dominar o fornecimento de petróleo, através da América do Sul, seja pela Venezuela, seja pelo Brasil.

É preciso tempo para que essas coisas fiquem mais claras, mas o que podemos afirmar, é que a única motivação que não moveu Trump na captura de Maduro, foi a de acabar com a ditadura venezuelana.

Trump pouco liga para a democracia, sendo que no caso da Ucrânia temos uma situação em que ele usa o fato que o Presidente da Ucrânia, Volodymir Zelensky, já não é mais o presidente de fato da Ucrânia, já que o seu mandato terminou, não tendo realizado as eleições por lá, alegando que a situação de guerra não permite.

Isso porque nessa guerra o outro lado, Vladimir Putin, também é acusado de se manter no poder, através de eleições supostamente fraudadas.

Ou seja dentro da hipocrisia de falsa democracia do mundo de hoje, Trump apenas está fazendo a sua parte do jogo, tentando tirar a maior vantagem possível.

Lula para ele, não é problema, mas apenas mais uma marionete do seu jogo.

Ass. Eduardo Cunha

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