Familiares de Kaila Vitória Elias da Silva, de 19 anos, e de Leanderson Silva, de 23 anos, realizaram duas manifestações neste sábado (31), em Cajueiro, distrito de São João da Barra, pedindo justiça e punição ao médico envolvido no acidente que matou o jovem casal na BR-356. Os atos ocorreram pela manhã e no final da tarde, reunindo parentes, amigos e moradores da região.
As manifestações aconteceram poucas horas depois de um novo e doloroso episódio: a família localizou a perna de Kaila em meio à vegetação às margens da rodovia, no mesmo local onde ocorreu o acidente. O membro estava em avançado estado de decomposição e foi encontrado quatro dias após a colisão. O rabecão foi acionado e o material encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Campos dos Goytacazes.
Segundo familiares, eles estavam acompanhados por dois advogados, que representam tanto o condutor do carro quanto as vítimas, quando perceberam um forte odor vindo do matagal. Ao iniciarem buscas, localizaram a perna da jovem.
O acidente ocorreu na última terça-feira (27), quando a motocicleta em que Kaila e Leanderson estavam foi atingida por um carro conduzido por um médico. Kaila morreu no local. Leanderson chegou a ser socorrido e levado a uma unidade de saúde em São João da Barra, mas deixou o hospital antes de ser ouvido oficialmente. Ele se apresentou à polícia apenas na sexta-feira (30), prestou depoimento e foi liberado.
Também na sexta-feira (30), a defesa do médico, Dr. Sandiano Mello Brum, divulgou uma nota pública esclarecendo sua versão dos fatos.
“A defesa do Médico, Dr. Sandiano Mello Brum, vem a público esclarecer de maneira mais detalhada, sob o seu ponto de vista, toda a tragédia ocorrida na última terça-feira, dia 27 de janeiro de 2026”, inicia o comunicado.
De acordo com a defesa, o condutor do veículo também deve ser considerado vítima da ocorrência. “O condutor do veículo também figura como vítima deste acidente trágico, tendo feito tudo o que estava ao seu alcance para evitar a tragédia que ocorreu em local ermo, sem qualquer iluminação pública adequada para a via, sendo pego de surpresa pela motocicleta que trafegava sem qualquer sinalização luminosa, além de estar trafegando dentro dos limites de velocidade permitidos. Trata-se de uma infeliz fatalidade.”
A nota rebate ainda rumores sobre possível embriaguez. “Cabe esclarecer que é leviana a afirmação de que o condutor do veículo estava embriagado no momento do acidente, não havendo qualquer prova ou indício de tal falácia nos elementos informativos do inquérito policial.”
A defesa afirma que a saída do médico da unidade de saúde não foi registrada por medo de represálias. “Tendo ocorrido a sua saída não registrada da unidade básica de saúde por medo de represálias, visto que desde o local do acidente já vinha sendo ameaçado por populares.”
Segundo o comunicado, o caso é tratado como homicídio culposo no trânsito. “O caso está sendo tratado como acidente de trânsito resultando em homicídio culposo quando não há intenção de matar, visto que foi evidentemente uma fatalidade que qualquer pessoa está sujeita a sofrer.”
Por fim, a defesa pede cautela e respeito ao processo legal. “É fundamental aguardar o devido processo legal e o julgamento adequado de todos os passos nos autos antes de disparar qualquer julgamento leviano contra quem quer que seja.” A nota se encerra com condolências às famílias das vítimas.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias do acidente.


