Campos dos Goytacazes se consolidou como o principal polo de voos da indústria de petróleo e gás no Brasil, concentrando a maior parte da logística aérea offshore da região Sul e Sudeste. Dados do Programa Macrorregional de Caracterização do Tráfego de Aeronaves (PMCTA) mostram que, só em 2024, o município respondeu por 36,2% de todas as operações do setor, com 16.660 voos.
O levantamento analisou 137 mil voos realizados entre 2022 e 2024 e aponta que o Rio de Janeiro concentrou 92,2% de toda a movimentação aérea de suporte às atividades nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Apenas no último ano, foram 45.960 voos na região, sendo mais de 42 mil em solo fluminense.
Em Campos, o destaque é o Heliporto Farol de São Tomé, que sozinho registrou 16.047 operações em 2024 e se tornou a base mais movimentada do período. Ao lado do Aeroporto Bartolomeu Lisandro, o município lidera com folga o suporte logístico às plataformas offshore.
No acumulado dos três anos analisados, apenas o heliporto do Farol somou mais de 39 mil voos, o equivalente a quase 29% de todas as operações registradas na região Sul e Sudeste.
Os dados também mostram o peso da indústria no funcionamento dos aeroportos. No heliporto do Farol de São Tomé, quase metade dos pousos e decolagens em 2024, 46,7%, foi destinada ao transporte de trabalhadores e equipes para plataformas de petróleo.
Outras cidades do litoral também apresentam forte presença do setor, como Macaé e Cabo Frio, onde a indústria representa mais de um quarto do tráfego aéreo. Ainda assim, Campos mantém a liderança isolada, impulsionada pela proximidade com a Bacia de Campos e pela estrutura consolidada de apoio offshore.
O estudo também aponta uma mudança na distribuição dos voos. Enquanto Campos apresenta crescimento contínuo desde 2022, outras bases tradicionais, como o aeroporto de Jacarepaguá, registraram queda no volume de operações. Por outro lado, o aeroporto de Maricá vem ampliando participação e já aparece como novo ponto de apoio logístico.
A região Sul-Sudeste concentra 94,5% da produção nacional de petróleo e gás, reforçando a importância da malha aérea para sustentar as operações offshore, cenário em que Campos segue como principal referência.


