Auditoria aponta mais de 4 mil cargos comissionados exonerados e identifica funcionários fantasmas em secretarias do RJ

Relatório da Controladoria Geral do Estado indica que servidores sem registro de ponto custavam R$ 16,7 milhões por mês aos cofres públicos

Por Sâmela Braga

Um relatório da Controladoria Geral do Estado (CGE) e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), obtido com exclusividade pelo RJ2, apontou um elevado número de servidores comissionados que não registravam frequência em órgãos do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a auditoria, a situação mais grave foi identificada na Secretaria de Trabalho e Renda, onde cerca de 80% dos cargos de confiança eram ocupados por funcionários que não batiam ponto.

O levantamento também identificou índices superiores a 50% de servidores sem registro de frequência nas secretarias de Esporte e Lazer, Turismo, Agricultura, Ciência e Tecnologia, Assistência Social e Casa Civil. Nas pastas da Saúde e do Desenvolvimento Social, aproximadamente quatro em cada dez comissionados também deixavam de registrar presença. Até o momento, apenas 20 dos 78 órgãos estaduais passaram por auditoria.

De acordo com o relatório, os chamados “funcionários fantasmas” representavam um custo estimado de R$ 16,7 milhões por mês aos cofres públicos. O caso remete a outras investigações envolvendo a Secretaria de Trabalho e Renda, como a apuração realizada em 2022 durante a gestão do então secretário Patrique Welber.

Diante das irregularidades apontadas, o Governo do Estado informou que já exonerou mais de 4 mil servidores comissionados desde março de 2026, quando o desembargador Ricardo Couto assumiu o comando do Executivo estadual. A expectativa é que esse número chegue a 6 mil até o fim do ano, à medida que novas auditorias sejam concluídas em secretarias, autarquias e empresas estatais.

Segundo o governo, as exonerações devem gerar uma economia superior a R$ 230 milhões até o final de 2026. Em maio, o Estado já havia anunciado a demissão de 2,7 mil comissionados, além de promover mudanças em 20 cargos do primeiro escalão.

Em nota, o ex-governador Cláudio Castro afirmou que a nomeação e o acompanhamento dos servidores comissionados são atribuições dos secretários e chefes de cada pasta. Segundo ele, causa estranheza que parte das secretarias citadas no relatório continue sob o comando dos mesmos gestores na atual administração. Castro também declarou que apontamentos dessa natureza devem ser analisados por meio de procedimentos formais de apuração e que exonerações em mudanças de governo não representam, por si só, comprovação de irregularidades. Por fim, reiterou que defende a responsabilização individual em casos eventualmente comprovados.

Fonte: G1

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