Um pedido de intervenção federal na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) foi protocolado na Procuradoria-Geral da República (PGR). A representação, assinada pelo advogado Leandro Mello Frota, solicita que o órgão acione o Supremo Tribunal Federal (STF) para nomear um interventor no Legislativo fluminense, sob a alegação de que a Casa teria sido “capturada” pelo crime organizado.
No documento, o advogado afirma que o Estado do Rio de Janeiro não teria condições de enfrentar, sozinho, a suposta infiltração de organizações criminosas na política estadual. Segundo a representação, a situação comprometeria o funcionamento das instituições e representaria uma ameaça à estabilidade do governo comandado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto.
A peça cita uma série de episódios para justificar o pedido, entre eles a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, a cassação do deputado estadual Rodrigo Bacellar por suposta associação criminosa com outro parlamentar investigado por ligação com o Comando Vermelho, além das prisões dos deputados TH Joias e Thiago Rangel. Também é mencionada a operação policial que teve como alvo o deputado Val do Ceasa, investigado por supostos vínculos com o Terceiro Comando Puro (TCP).
A representação também faz referência a votos de ministros do STF que apontariam preocupação com a influência do crime organizado sobre a política fluminense e com o risco de comprometimento das instituições democráticas no estado.
Segundo o autor do pedido, a crise institucional ainda não teria sido superada e a própria Alerj resistiria à adoção de medidas corretivas. Por isso, ele solicita que a PGR represente junto ao Supremo pela decretação de intervenção federal na Assembleia Legislativa, com a nomeação de um interventor para administrar a Casa, mantendo Ricardo Couto no comando do governo estadual enquanto perdurar a medida.
Fonte: Publicado inicialmente pelo O GLOBO


