Presidente da CDL Campos alerta para aumento das dívidas e impactos no comércio

Fábio Paes aponta crédito caro, queda no consumo e endividamento das famílias como fatores que pressionam empresas e consumidores

Por Giovana Velasco

O aumento do valor das dívidas, mesmo com a redução no número de pessoas negativadas, preocupa o setor comercial de Campos dos Goytacazes. Em entrevista a Band FM Campos, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Fábio Paes, afirmou que a economia enfrenta um cenário de fragilidade, agravado pela baixa renda média da população e pelo alto custo do crédito.

Segundo Fábio, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a renda média do trabalhador em Campos equivale a cerca de dois salários mínimos. Para ele, o valor é insuficiente para garantir margem para o consumo após o pagamento das despesas básicas.

“Se você pegar assim, uma pessoa que ganha aí dois salários mínimos, um salário mínimo, tira o aluguel, tira o supermercado, tira a farmácia, tira luz, água, despesas básicas para sobreviver, sobra o quê para consumo?”, questionou.

O presidente da CDL também destacou o uso do crédito consignado como uma alternativa adotada por parte da população para lidar com dificuldades financeiras. Segundo ele, embora o recurso possa representar uma solução imediata, o comprometimento de parte da renda acaba aumentando o risco de inadimplência.

“Os créditos consignados assim na hora pode parecer uma solução imediata para a pessoa, mas depois tira aquele percentual de 30, 40% do salário da pessoa que já ganha pouco”, afirmou.

Na avaliação de Fábio, o endividamento das famílias também afeta diretamente o comércio, já que a redução da renda disponível diminui o consumo. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam dificuldades com crédito mais caro, aumento dos custos e menor movimentação nas vendas.

De acordo com os números citados durante a entrevista, Campos possui cerca de 41 mil pessoas com o nome negativado, somando aproximadamente R$ 61 milhões em dívidas. No cenário nacional, seriam 9,1 milhões de empresas negativadas, com uma dívida de R$ 230 bilhões.

Para Fábio, a combinação entre consumidores e empresas endividados cria um ciclo de dificuldades para a economia. “Então você está vivendo uma situação em que as empresas estão endividadas, porque o crédito está caro, o consumo caiu, o custo aumentou. E aí a conta não fecha porque você tem do outro lado um consumidor endividado também”, explicou.

O presidente da CDL também citou o aumento dos pedidos de recuperação judicial de grandes empresas de diferentes setores como um indicativo das dificuldades enfrentadas pela economia. Entre os exemplos mencionados durante a entrevista estão empresas do varejo e do setor de supermercados.

Outro fator apontado por Fábio foi o crescimento das apostas esportivas e outros jogos de apostas on-line, conhecidos como bets. Segundo ele, parte da população tem destinado recursos às apostas em um momento de dificuldades financeiras, o que reduz ainda mais o dinheiro disponível para o consumo.

“Isso tem realmente tirado muita receita da mão das pessoas, porque as pessoas às vezes no desespero vai acreditando naquilo, vai apostando e vai cada vez perdendo mais receita”, afirmou.

Além dos impactos financeiros, o endividamento também pode afetar a qualidade de vida e o bem-estar da população. Durante a entrevista, a relação entre as dificuldades financeiras e a saúde mental, especialmente diante da aproximação da campanha Setembro Amarelo, também foi um ponto discutido.

“Isso afeta a qualidade de vida do cidadão. Então você percebe assim um alto grau dessas pessoas endividadas com problemas realmente emocionais graves”, declarou, Fábio.

Diante desse cenário, a CDL Campos também atua em iniciativas voltadas à renegociação de dívidas. Segundo Fábio, a entidade pretende lançar, em parceria com o Governo do Estado, uma ação para tentar reduzir o nível de endividamento na região.

A proposta é negociar com credores a redução de juros e multas, permitindo que consumidores regularizem a situação financeira e voltem a ter acesso ao crédito. A CDL também desenvolve campanhas como “Limpe Seu Nome, Recupere Seu Crédito” e busca atuar em conjunto com o Procon e a Justiça.

“Então, a gente tenta convencer os credores a reduzir juros, a reduzir multa numa negociação, e aí com isso você coloca o dinheiro de novo para dentro da empresa e você recupera aquele cidadão que tava com o crédito bloqueado porque tá negativado”, explicou Fábio.

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