A população de Campos dos Goytacazes poderá enfrentar pelo menos mais oito meses de dificuldades para atravessar entre Guarus e a região central da cidade. O prefeito Frederico Paes anunciou, nesta sexta-feira (16), que esse é o prazo mínimo previsto para a conclusão das obras de recuperação da Ponte João Barcelos Martins, conhecida como Ponte de Ferro. A estrutura está interditada desde fevereiro desse ano, e a nova previsão amplia a preocupação de pedestres e ciclistas que dependiam da passagem diariamente.
Em entrevista ao programa Folha no Ar, do Folha 1, Frederico afirmou que o Governo do Estado do Rio de Janeiro precisará realizar uma nova licitação para a reforma de toda a estrutura. O anúncio representa mais um obstáculo para a recuperação da ponte, cuja interdição já provocou mudanças na rotina de estudantes, trabalhadores e moradores que utilizavam o trajeto.
Oito meses de espera e nenhuma solução definitiva
Desde o fechamento da Ponte Barcelos Martins, em 28 de fevereiro, quem precisa atravessar o Rio Paraíba do Sul passou a depender de rotas alternativas, como as pontes da Lapa, Alair Ferreira e General Dutra. A Ponte de Ferro era uma importante ligação para pedestres, ciclistas e motociclistas, com estimativas de 15 mil a 30 mil passagens diárias antes da interdição.
Frederico anunciou que a Ponte Leonel de Moura Brizola será utilizada como alternativa para pedestres e ciclistas durante o período das obras, com a travessia realizada em uma única pista. A proposta, porém, já havia sido testada anteriormente e acabou suspensa pelo próprio prefeito após a avaliação de que a operação não apresentou o resultado esperado.
A situação levanta questionamentos sobre o planejamento da mobilidade urbana no município. Como trabalhadores, estudantes e outros moradores poderão atravessar a cidade com segurança durante tantos meses, especialmente aqueles que não têm carro ou dependem da bicicleta para se deslocar?
Pedestres e ciclistas ficam em segundo plano?
A previsão de pelo menos oito meses para a conclusão da obra evidencia a necessidade de uma alternativa que vá além de mudanças temporárias no trânsito. Para quem se desloca a pé ou de bicicleta, a interdição representa não apenas um aumento no tempo de viagem, mas também a necessidade de utilizar outros trajetos, que podem ser mais longos e exigir atenção redobrada em meio ao tráfego de veículos.
Nesse cenário, a administração municipal precisa explicar quais medidas serão adotadas para garantir uma travessia segura durante todo o período de interdição. A preocupação não deve se limitar à circulação dos carros: pedestres e ciclistas também precisam ser considerados nas decisões sobre o trânsito e a infraestrutura urbana.
Embora a recuperação da Ponte Barcelos Martins dependa de providências do Governo do Estado, cabe à Prefeitura buscar alternativas de mobilidade, articular soluções com os órgãos responsáveis e manter a população informada sobre os prazos e as condições de travessia.
O prefeito tem cobrado do Estado a recuperação da estrutura, mas a cobrança por uma obra definitiva não elimina a responsabilidade do município de enfrentar os transtornos imediatos. A população precisa de respostas concretas, e não apenas de uma previsão que pode significar mais oito meses de dificuldades.
A Ponte de Ferro permanece como um exemplo dos desafios da mobilidade em Campos: enquanto a reforma não é concluída, quem mais depende de deslocamentos acessíveis e seguros continua esperando por uma solução que considere suas necessidades.


