O senador Flávio Bolsonaro (PL) se recusou a reconhecer a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25), e afirmou que pretende pedir a anulação do resultado. Segundo a agência Reuters, o parlamentar questionou a decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que prorrogou a votação por duas horas devido a supostas irregularidades no transporte público.
Flávio declarou que considera impossível reconhecer o resultado diante das circunstâncias da votação. A contestação ocorre após Lula conquistar mais de 64 milhões de votos e garantir um quarto mandato à frente da Presidência da República, com uma diferença superior a quatro milhões de votos em relação ao senador.
Uma análise dos registros eleitorais feita pelo professor Pedro Burgos, do Insper, apontou que menos de 35 mil votos, cerca de 0,03% do total, foram computados durante as duas horas adicionais. A Reuters também informou que a campanha de Flávio havia solicitado a extensão do horário de votação devido às fortes chuvas no Sul do país, região de tendência conservadora.
Apesar da ameaça de contestação, analistas ouvidos pela agência avaliam que a diferença de votos torna improvável uma anulação do resultado. A recusa em reconhecer a derrota, porém, pode estimular protestos e ampliar as tensões em torno da confiança no sistema eleitoral e nas instituições brasileiras.
A reação de Flávio ocorre após seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ser condenado a 27 anos de prisão por conspiração para um golpe de Estado. Depois das eleições de 2022, apoiadores do ex-presidente invadiram prédios públicos em Brasília para contestar a vitória de Lula.
Enquanto o resultado era questionado internamente, líderes internacionais reconheceram a vitória do petista. Entre eles estão representantes da União Europeia, França, México, Canadá, Índia e Rússia. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, também parabenizou Lula e manifestou interesse em ampliar a cooperação entre os países. Até a publicação da reportagem da Reuters, a Casa Branca e o Departamento de Estado dos Estados Unidos ainda não haviam se pronunciado, assim como o presidente da Argentina, Javier Milei.
A vitória de Lula também provocou forte reação nos mercados financeiros. Segundo a Reuters, o real chegou a cair mais de 11% em relação ao dólar no início das negociações, enquanto o índice Ibovespa recuou mais de 15%, registrando a maior queda percentual diária desde 1998. Investidores reavaliaram as perspectivas fiscais do país diante da expectativa de continuidade do governo petista.
Em pronunciamento após a confirmação da vitória, Lula adotou um discurso de conciliação e afirmou que, apesar das divergências políticas, governará para todos os brasileiros.
O próximo mandato, que começa em janeiro de 2027, deverá enfrentar dificuldades para avançar no Congresso Nacional. A composição legislativa eleita em 2026 ficou mais alinhada à direita, com presença expressiva de aliados de Bolsonaro, o que pode dificultar a aprovação das propostas econômicas do governo. Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, os desafios do próximo período serão numerosos.


