O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não discute cortes efetivos nas despesas públicas, mas medidas para reduzir o ritmo de crescimento dos gastos. A avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil, nesta quinta-feira (5). Segundo ele, o debate interno envolve alternativas para conter o avanço das despesas e demonstrar maior compromisso com o controle fiscal.
Entre as possibilidades discutidas estão mudanças nas regras de gastos com saúde e educação, revisão de programas sociais e alterações na tributação de aplicações financeiras. As propostas buscam limitar o crescimento das despesas ao longo do tempo, sem representar uma redução direta dos valores já previstos no orçamento.
Garman destacou que investidores brasileiros e estrangeiros acompanham os movimentos do governo em relação às contas públicas. Para ele, uma sinalização de maior controle fiscal poderia aliviar a pressão sobre o câmbio e os juros futuros. O executivo também ressaltou que os juros elevados dificultam o acesso ao crédito para empresas e mantêm famílias pressionadas pelo endividamento.
O debate enfrenta resistência política dentro do governo. Segundo informações da CNN, mudanças no reajuste real do salário mínimo e nos pisos constitucionais da saúde e da educação estão fora de cogitação. Garman avalia que as medidas em discussão podem ser insuficientes para promover uma correção fiscal mais ampla.
Fonte: CNN Brasil/ Foto: Ton Molina/Getty Images


