Petrobras celebra 70 anos em meio ao declínio da produção na Bacia de Campos e anúncios de investimentos

Apesar dos desafios, a data é um marco importante na história da empresa, que desempenha um papel significativo no desenvolvimento econômico do país nas últimas décadas

Por Lyandra Alves

Foto: Divulgação/ Petrobras

Neste dia 3 de outubro, a Petrobras, gigante da indústria de óleo, gás natural e energia no Brasil, celebra seus 70 anos. A data é um marco importante na história da empresa, que desempenha um papel significativo no desenvolvimento econômico do país nas últimas décadas. No entanto, este aniversário é marcado por desafios significativos, especialmente no que diz respeito à produção de petróleo e gás natural na Bacia de Campos, localizada no estado do Rio de Janeiro.

Em 2022, o estado fluminense ampliou sua participação na produção nacional de petróleo em 3,9 pontos percentuais em relação a 2021, consolidando sua posição como um dos principais pólos de exploração e produção de petróleo do país. No entanto, a situação na Bacia de Campos, que historicamente foi um dos principais motores da indústria petrolífera brasileira, conta uma história diferente.

A Bacia de Campos enfrenta um declínio constante em sua produção, registrando uma participação de apenas 9,3% na produção nacional em 2022, o que representa uma redução de 2,4 pontos percentuais em relação a 2021. Esse declínio tem causado um impacto significativo na economia da cidade de Campos dos Goytacazes, que historicamente depende fortemente da indústria petrolífera.

Os dados são do Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural de 2022, realizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que consolida os dados da produção nacional de petróleo e gás natural realizada durante o ano de 2022, comparando-a com os dados da produção dos últimos 4 anos (2018 a 2021).

Desafios econômicos em Campos dos Goytacazes

Campos, situada no norte do Estado do Rio de Janeiro, possui uma estreita ligação com a indústria de petróleo e gás. No entanto, o declínio da produção na Bacia de Campos tem afetado diretamente a cidade.

Para o professor e economista José Alves de Azevedo, a redução nas atividades de exploração e produção resultou na diminuição da geração de empregos no setor e em uma pressão crescente sobre a economia local.

“Essa redução da produção da Bacia de Campos, por conta da exaustão dos poços de petróleo, pode trazer ainda mais problemas no futuro para, não só Campos, como outros municípios petrorentistas da região, como Macaé, Quissamã, Carapebus, São João da Barra e Rio das Ostras. Porque estes municípios possuem como sua maior fonte de receita a renda do Petróleo, com os royalties e a participação especial”, analisou.

O setor petrolífero é um dos maiores empregadores da região, e a queda na produção tem levado ao fechamento de postos de trabalho, deixando muitos residentes desempregados.

Condições de trabalho precárias nas plataformas

Além dos desafios econômicos, a falta de manutenção das plataformas de petróleo na Bacia de Campos tem levantado sérias preocupações sobre as condições de trabalho dos funcionários que atuam nessas instalações. Com a redução dos investimentos em manutenção, as plataformas têm enfrentado problemas operacionais e de segurança, colocando em risco a vida dos trabalhadores.

Para o coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF), Tezeu Bezerra, nos últimos anos, as relações de trabalho no setor foram precarizadas.

“A gente viveu um período de precarização das relações de trabalho. Então, nós perdemos muita mão-de-obra experiente, que optaram por não focar no ramo por conta dos baixos salários. A pandemia também obrigou a redução dos efetivos nas unidades, então essa mão de obra também ficou muito restrita”, afirmou.

Para Tezeu, a queda da produção da Bacia de Campos é fruto de um boicote da gestão anterior da Petrobras para justificar as privatizações feitas pela estatal, e isso impactou diretamente as condições estruturais das plataformas. “Eles tiraram investimentos e não faziam mais a revitalização dos campos. Consequentemente as plataformas pararam de ter as manutenções adequadas”, comentou.

Apesar dos desafios, para o coordenador do sindicato, há uma esperança em relação a atual gestão da empresa.

“Há um mix de esperança e desconfiança. Ao mesmo tempo em que a gente tem esperança e tem mantido a luta pela revitalização, contratação de novas plataformas e manutenção mais robusta nelas, a gente fica com um pé atrás. Nos últimos anos, houve muitas precarizações. No atual governo, temos conversado muito com o atual governo, mas ainda vamos ter muita luta para que a Bacia de Campos continue tendo a importância necessária. Não podemos pensar nela só como royalties, temos que pensar na mão de obra de qualidade, no emprego de qualidade para os trabalhadores”, concluiu.

Investimentos

Apesar do declínio na produção da Bacia de Campos, a Petrobras está comprometida em revitalizar essa importante região petrolífera. Com um investimento estimado em US$ 18 bilhões até 2027, a companhia está traçando um ambicioso plano para fortalecer suas operações nessa área estratégica.

O plano da Petrobras inclui uma série de iniciativas cruciais para impulsionar a produção e a infraestrutura na bacia. A empresa também planeja abrir mais de 200 novos poços, o que contribuirá para a exploração eficiente dos recursos disponíveis.

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