Escanteado por Bolsonaro, Cláudio Castro vira alvo de outros partidos e pode deixar o PL

Ainda nesta semana, Castro deve se reunir com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, para discutir os rumos da legenda no Rio e seu papel nas eleições de 2026

Por Lyandra Alves

Foto: Reprodução

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está sendo procurado por pelo menos cinco legendas após ser preterido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como possível candidato ao Senado em 2026. A decisão de Bolsonaro de articular a candidatura do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da legenda na Câmara, abriu uma crise dentro da direita fluminense e deixou o futuro político de Castro indefinido.

Segundo interlocutores próximos ao governador, ele foi procurado recentemente por dirigentes e lideranças do PP, União Brasil, MDB, Republicanos e até pelo PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab. A movimentação sinaliza um possível desembarque de Castro do PL, partido pelo qual foi eleito e que hoje passa por um realinhamento de forças sob a influência direta de Bolsonaro.

Ainda nesta semana, Castro deve se reunir com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, para discutir os rumos da legenda no Rio e seu papel nas eleições de 2026. O desgaste entre o governador e a cúpula bolsonarista se agravou após a demissão do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), da Secretaria de Transportes, exoneração realizada por Rodrigo Bacellar (União) enquanto ocupava interinamente o governo durante viagem de Castro a Portugal.

Apesar de Castro alegar que a saída de Reis já estava alinhada previamente, o episódio foi lido como um racha público dentro do campo conservador. Bolsonaro, que vê Reis como um de seus principais aliados no estado, decidiu então não apoiar nem Cláudio Castro, nem Bacellar, como revelou o site Tempo Real e confirmou a Veja.

Mesmo fora do governo, Washington Reis segue como o nome preferido do ex-presidente para disputar o Palácio Guanabara em 2026, caso consiga reverter sua situação de inelegibilidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-prefeito ainda mantém forte influência entre prefeitos da Baixada Fluminense e lideranças evangélicas.

Em entrevista à Veja, Reis disse que houve uma tentativa de “forçar a barra” para obter apoio antecipado de Bolsonaro a outros nomes, mas que essa articulação foi freada. Sobre Bacellar, foi direto: “Meu projeto é totalmente distinto do dele.”

Questionado sobre seu alinhamento com Eduardo Paes, provável candidato do PSD ao governo do estado, Reis negou qualquer aliança, mas reforçou que mantém bom trânsito entre a maioria dos prefeitos do Rio. E reafirmou o apoio de Bolsonaro: “Nunca tive dúvidas. Sempre tive certeza. Trabalhamos juntos nas eleições, na que ganhou e na que perdeu, até porque as ideias políticas convergem.”

*Com informações de Metrópoles e Veja

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