Hospital da Mulher Mariska Ribeiro no Rio promove musicalização para crianças atípicas

A maternidade promovem consultas terapêuticas integradas envolvendo ritmo, melodia e risadas para estimular crianças atípicas - Nicole Teodozio/SMS

Por Rodolfo Augusto

A maternidade promovem consultas terapêuticas integradas envolvendo ritmo, melodia e risadas para estimular crianças atípicas - Nicole Teodozio/SMS

“Quem canta, seus males espanta”. No Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, unidade da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, isso não é só um ditado. Desde 2014, os profissionais do Núcleo de Atenção Integrada ao Recém Nascido de Risco (NAIRR) da maternidade promovem consultas terapêuticas integradas envolvendo ritmo, melodia e risadas para estimular crianças atípicas. Brinquedos barulhentos, instrumentos musicais e caixinhas de som fazem parte da rotina dos irmãos Jean e Audrey, de 6 e 7 anos. A mãe, Cristiane Silva, conta que a terapia se tornou fundamental para a família, já que ambos estão no espectro autista (TEA).

´´ A música é primordial para o desenvolvimento, para acalmá-los´´, relatou Cristiane.

Para ela, seus filhos certamente gostariam de parar o tempo durante as consultas com musicalização, especialmente quando escutam os acordes que introduzem a canção “Areia”, de Sandy e Lucas Lima. A mãe conta que a música, sempre presente na playlist de casa, foi peça-chave no processo terapêutico de Jean, que apresentava maiores dificuldades cognitivas.

´´Ele não interagia, ficava muito agitado e daí a música acalmava´´, contou.

A médica pediátrica Denise Moreira, que acompanha os irmãos desde o nascimento, explica que a melhora no quadro de Jean foi significativa após a intervenção musical, e que tudo mudou durante um exercício de associação.

– Eu perguntei: ‘Mãezinha, qual é a música que ele gosta?’ Aí colocamos e, como num passe de mágica, tinha os lápis coloridos em cima da mesa e eu perguntei: ‘Cadê o lápis vermelho?’ Ele pegou. ‘Cadê o lápis azul?’ Ele pegou – relembrou a médica.

A fonoaudióloga Isabela de Almeida, que também acompanha o caso de Jean e de outras crianças do NAIRR, explica que a musicalização é uma intervenção em casos de risco, com objetivo de garantir o desenvolvimento emocional, cognitivo e motor dos nascidos no complexo neonatal da unidade.

´´A criança aprende através do sensorial, do corpo. E ela usa esse corpo para brincar. Então, quando você traz a música como uma ponte para ela chegar naquele objetivo, isso facilita muito´´, .

De acordo com a profissional, o valor efetivo também é um fator importante da musicalização:

´´Tem crianças que nem falam, mas cantam. Porque elas estão tão à vontade ali naquela dinâmica, naquele universo, que para ela a música traz uma memória afetiva importante e aí ela se sente à vontade para se expressar´´.

Os benefícios estão presentes também na vida do pequeno Calebe que, prestes a completar o primeiro aninho de vida, é frequente nas sessões de musicalização. Sua mãe, Priscila Pires, percebe no dia a dia a melhora do filho, diagnosticado com síndrome de down. Ela conta que faz questão de manter o contato com a música em casa.

´´De lá para cá, ele está tendo um salto, já vira sozinho, consegue se apoiar com os braços, se alimenta. Está progredindo com todo o suporte e apoio desse projeto nos ajudando. Toda vez que ele começa a chorar, quando eu coloco a música, automaticamente ele para. Isso ajuda muito na terapia´´.

Atualmente, os Núcleos de Atenção Integrada ao Recém Nascido de Risco (NAIRR) estão presentes na maioria dos hospitais maternidades da rede municipal de saúde do Rio e recebem crianças nascidas em condições como prematuridade, síndrome de down e autismo. A musicalização é parte das terapias de intervenção cognitiva do NAIRR do Mariska Ribeiro e funciona de forma integrada, reunindo avaliação de diferentes especialistas de saúde. Para a fonoaudióloga Isabela, esse é um diferencial da prática.

´´A gente tenta sempre fazer o atendimento em grupo, porque enquanto eu tô trabalhando uma coisa, a fisio já presta atenção em uma outra situação, uma postura que talvez pudesse ser alterada. Esse olhar holístico faz toda a diferença na hora do atendimento´´.

Além das consultas individuais, a musicalização terapêutica também está presente em sessões coletivas do neonatal da unidade, realizadas no período das festas juninas e do Natal desde 2023. Só neste ano foram realizados mais de 550 atendimentos pelo NAIRR da maternidade.

Fonte: Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro

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