A visão pode oscilar: em alguns dias embaça, em outros clareia. Essa instabilidade, comparada a uma montanha‑russa nada divertida, é um dos primeiros sinais da retinopatia diabética, uma complicação da diabetes que pode evoluir para cegueira.
De acordo com a Sociedade Brasileira da Diabetes, que lembra o dia mundial da doença nesta sexta-feira (14), mais de 13 milhões de brasileiros vivem com diabetes. O número corresponde a 6,9% da população, segundo dados do Ministério da Saúde.
A diabetes altera a glicemia e pode afetar diversos órgãos. Nos olhos, compromete a retina e pode evoluir para retinopatia diabética, uma das principais causas de perda de visão entre pessoas de 20 a 75 anos, conforme o órgão federal.
O que é? A retinopatia diabética ocorre quando o excesso de açúcar no sangue danifica os pequenos vasos da retina, a parte sensorial do olho, e pode evoluir para perda de visão, explicou o médico oftalmologista Marcello Colombo Barboza, diretor clínico do Hospital Visão Laser, em Santos (SP).
Segundo Marcello Colombo, esses vasos se fragilizam e causam vazamento de líquidos e sangue. “O paciente percebe essa flutuação da visão devido aos picos de glicose. O alerta se torna extremo quando esse embaçamento não volta mais, significando que a retina foi permanentemente lesionada”.
Fique atento aos sinais! Colombo disse que a chave está em identificar os primeiros sintomas, como a “visão de montanha-russa”, embaçada, manchas, perda central e distorção na imagem.
Há prevenção?
O médico disse que não existe tratamento ocular mais eficiente do que o controle rigoroso da glicose. “É o que salva a visão. Se há descontrole por apenas um curto período, o dano pode ser irreversível”. Ele acrescentou que a realização do exame de fundo de olho também é essencial.
Conhecido como fundoscopia, o exame de fundo de olho permite identificar lesões nos vasos da retina, do nervo óptico e dos sanguíneos em tempo real. Inclusive, este foi o procedimento que fez a aposentada Isalinda Gonçalves descobrir que tinha diabetes aos 68 anos, conforme o relato abaixo:
“Eu sentia [a visão de montanha-russa], mas eu pensava que era falta de óculos. Por isso, eu fui lá fazer o óculos e ele [oftalmologista] descobriu que eu tinha isso [retinopatia diabética]”, contou a aposentada, agora com 93 anos.
Isalinda afirmou ter ficado “apavorada” porque tinha um familiar que ficou cego por causa da diabetes. “A diabete é silenciosa e a gente não sente nada. Eu não sentia nada antes de descobrir […] A visão é uma coisa muito importante, a gente ficar cega, ficar dependente, é uma tristeza”, acrescentou ela.
Fonte: G1


