Petroleiros do Norte Fluminense suspendem greve após assembleia em Campos

A greve de 2025 passou a integrar o histórico das maiores mobilizações da categoria petroleira

Por Lyandra Alves

A categoria petroleira do Norte Fluminense decidiu suspender, nesta terça-feira (30), a greve iniciada no último dia 15. A decisão foi tomada durante assembleia realizada no Teatro Municipal Trianon, em Campos dos Goytacazes, que reuniu cerca de 500 trabalhadores. A paralisação ocorria em todas as bases do país e foi encerrada após aprovação da mais recente contraproposta apresentada pela Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

A proposta de encerramento do movimento foi apresentada pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e aprovada por ampla maioria. Ao todo, 446 trabalhadores votaram favoravelmente à suspensão da greve, 43 se posicionaram contra e seis se abstiveram. Também foi aprovado o indicativo de manutenção do Estado de Assembleia Permanente e do Estado de Greve, como forma de acompanhar o cumprimento das cartas-compromisso enviadas pela Petrobras ao sindicato durante as negociações.

Na mesma assembleia, a categoria aprovou ainda a cobrança de um desconto assistencial correspondente a 1% do salário líquido, dividido em três parcelas. A medida recebeu 467 votos favoráveis, 14 contrários e 14 abstenções.

Durante o encontro, o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, avaliou que o movimento cumpriu seu objetivo ao reforçar a autonomia da categoria e a capacidade de mobilização dos trabalhadores. Segundo ele, a greve demonstrou que o sindicato mantém independência política e sindical, mesmo em um cenário de alinhamento institucional com o atual governo federal. Borges destacou ainda que a mobilização ocorreu sem abrir mão da defesa da democracia e que o movimento foi uma resposta à avaliação de que a proposta inicial da empresa não atendia às expectativas da categoria.

Os trabalhadores também acompanharam uma apresentação técnica sobre os avanços obtidos na negociação do Acordo Coletivo, conduzida pelo economista do Dieese, Cloviomar Cararine. De acordo com ele, a contraproposta da Petrobras incorporou 83 alterações entre ajustes de redação e novos benefícios, considerados avanços em relação às propostas anteriores.

A greve de 2025 passou a integrar o histórico das maiores mobilizações da categoria petroleira. Iniciada à meia-noite do dia 15, a paralisação durou 16 dias na base do Norte Fluminense, sendo a última entre as bases ligadas à Federação Única dos Petroleiros (FUP) a encerrar o movimento.

Segundo o sindicato, já no segundo dia de paralisação todas as plataformas operadas pela Petrobras na Bacia de Campos haviam aderido à greve. Na base de Cabiúnas, houve corte de rendição e realização de atos, enquanto em Imbetiba e no Parque de Tubos a adesão ocorreu de forma parcial, especialmente entre trabalhadores do setor administrativo.

Durante todo o período de greve, trabalhadores se concentraram diariamente nas sedes do Sindipetro-NF em Campos dos Goytacazes e Macaé. Pela manhã, os grevistas se organizavam em grupos para atividades de mobilização, incluindo ações no Heliporto do Farol e no Aeroporto de Macaé.

A categoria segue em estado de atenção, acompanhando o cumprimento dos compromissos assumidos pela Petrobras e mantendo a possibilidade de retomada das mobilizações, caso haja descumprimento dos termos acordados.

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