EmpoderAção: do Pantanal às periferias: o racismo ambiental no Brasil

Por Gabriela Hilário

Já está no ar, no canal do YouTube do EmpoderAção, o episódio que convida o público a acompanhar, na íntegra, uma conversa profunda sobre racismo ambiental, território e desigualdades históricas no Brasil. A entrevista foi publicada na quinta-feira (29/01), e reúne duas mulheres negras com trajetórias diretamente ligadas à defesa de territórios e direitos: Ana Tobossi e Fran Paula.

No episódio, Fran Paula, mulher quilombola do Pantanal de Mato Grosso, engenheira agrônoma, coordenadora da Aliança Científica Antirracista, integrante da CONAQ e doutoranda pela UFRRJ, explica que o território é mais do que um espaço físico:

Hoje a gente tá nomeando como racismo ambiental, né, mas todo o processo de violação contra territórios quilombolas sempre foi e é racismo ambiental – enfatizou a doutoranda ao contextualizar os impactos negativos do avanço do agronegócio em estados como Mato Grosso o terceiro maior do país em extensão territorial

A ativista e educadora popular Ana Tobosi, nascida e criada na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha (RJ), amplia o debate ao destacar que o racismo ambiental se manifesta em múltiplas camadas e assume características diferentes conforme o território. Ana é integrante da coordenação do Centro de Integração na Serra da Misericórdia e da Comitiva de Mulheres Negras Rumo à COP 30, de Criola:

O racismo ambiental está no nosso dia a dia, mesmo antes de falar dos grandes impactos. Ele aparece nesse atravessamento cotidiano: no momento em que você acorda e não pode fazer algo básico, como tomar um banho ou escovar os dentes. Quando você não tem esse ir e vir garantido, quando não tem o direito de estar e de ser, isso também é racismo ambiental. É o seu espaço sendo constantemente violado, como se naquele lugar esses direitos não importassem – denuncia.

A conversa integra a proposta editorial do EmpoderAção de conectar ciência, vivência, território e política pública, trazendo para o centro do debate vozes historicamente silenciadas, especialmente de mulheres negras, quilombolas e periféricas, que vivem na linha de frente dos impactos ambientais no Brasil, como reforça a apresentadora Gabriela Hilário:

“Quando os impactos ambientais atingem sempre os mesmos territórios e corpos, não estamos falando apenas de clima, mas de desigualdade, poder e justiça social”.

O episódio completo está disponível no canal do EmpoderAção no YouTube.

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