No Dia Internacional da Mulher, que acontece no próximo domingo (08/03), flores, mensagens e homenagens tomam conta das redes sociais. Mas, para muitas mulheres, a principal reivindicação vai muito além das celebrações. Os registros oficiais de feminicídios apontam para quatro mulheres mortas por dia no ano passado.
O que elas exigem é respeito, isonomia e segurança no dia a dia. O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.
No Brasil, casos de violência contra a mulher continuam sendo registrados com frequência. Situações que mostram que, apesar dos avanços, muitas ainda enfrentam medo dentro e fora de casa.
Papel da OAB Mulher
A presidente da Comissão OAB Mulher da 12ª subseção da OABRJ, Dr. Isadora Linhares, em entrevista exclusiva ao site Wnotícias explica que, mesmo não sendo um órgão de atendimento direto às vítimas, a instituição acaba tendo contato frequente com relatos de violência.
“Inicialmente, é importante falar que a OAB não faz atendimento a mulheres vítimas de violência. Porém, em razão da função social da OAB e do peso da instituição, recebemos denúncias de diversos tipos de violência, em especial a física e sexual. Ainda, é importante falar que a Comissão da OAB-MULHER é voltada para a mulher advogada e muitas nos procuram para relatar caso de assédio e de desrespeito dentro da profissão.”
Segundo a advogada, existem vários fatores que dificultam que mulheres vítimas de violência procurem ajuda. Entre eles, estão questões emocionais, financeiras e sociais.
“O primeiro, na minha análise, é a dependência emocional e financeira, o segundo o julgamento social e a idealização da família e de que a mulher deve aguentar muitas coisas pelo bem da estrutura familiar. Nesse ponto, é importante pontuar, que muitas mulheres sofrem violência mas não sabem. Como por exemplo a violência psicológica, com o controle de quem vai sair, a roupa que vai vestir, e a financeira, onde o companheiro toma conta de sua renda. Em terceiro lugar, infelizmente, a falta de preparo de órgãos que deveriam proteger essas mulheres, e que acabam passando por uma revitimização.”
Especialistas reforçam que políticas públicas, denúncias e conscientização são fundamentais para combater esse cenário.
Isadora Linhares também destaca a importância de reforçar que a culpa nunca é da vítima e que mulheres que sofreram violência não estão sozinhas.
“A mensagem que gostaria de passar para as mulheres que sofrem ou sofreram violência é que vocês não são vítimas. Vocês não têm culpa. A culpa é sempre do agressor e muitas vezes de toda a estrutura que revitimiza essa mulher. O caso acontecido no Rio na última semana com uma adolescente violentada por 3 adultos e 1 adolescente escancara essa realidade de que a própria vítima se questiona se ela não fez nada de errado para estar naquela situação. Então, gostaria de falar como brilhantemente falou a mãe dela, vocês não são culpadas, e não estão sozinhas. Contem com a OAB na luta por igualdade, respeito, e principalmente, pelo direito de estar viva e de ser mulher!”
Equidade no mercado de trabalho
Dentro desse debate sobre igualdade e direitos das mulheres, a discussão também se estende ao mercado de trabalho, inclusive na área da comunicação. A jornalista e coordenadora do curso de Jornalismo do Centro Universitário Fluminense (Uniflu), Priscila Castro, destaca que ainda existem desafios relacionados à equidade de gênero, reconhecimento profissional e ocupação de espaços de liderança pelas mulheres.
Segundo ela, a igualdade no mercado da comunicação ainda precisa avançar para que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades e reconhecimento profissional.
“É importante que exista equidade entre os gêneros para que homens e mulheres sejam considerados iguais no mercado de trabalho. Afinal, a entrega do valor notícia, ele não se dá por meio da validação do gênero, mas sim pela qualidade do que está sendo apurado. E isso também passa por aquela questão da igualdade real da oportunidade, salário justo, acesso equiparado aos espaços de decisão e de liderança, que muitas vezes as mulheres elas acabam ficando num número menor em relação a isso e ainda são minoria nesses cargos de evidência e de maior reconhecimento.”
Desafios das lideranças femininas
A coordenadora também ressalta que mulheres em cargos de liderança frequentemente enfrentam desafios adicionais relacionados à forma como suas atitudes são interpretadas no ambiente profissional.
“Em alguma medida, ser mulher ocupando um lugar de liderança gera alguns desafios específicos. Muitas vezes, por exemplo, a postura firme de uma mulher pode ser lida como diferente dessa postura num homem. e o que neles pode ser entendido como uma objetividade ou autoridade. Nós, mulheres, eu, mulher, posso ser interpretada como um excesso de rigidez ou insensibilidade ou sensibilidade. Então, eu preciso, assim, eu entendo e vejo, percebo, que o meu exercício é constante, ele é diário, para que eu faça esse equilíbrio entre as competências técnicas, entre a sensibilidade à humanidade e a resistência frente a esses enfrentamentos.”
Importância das universidades na formação de profissionais críticos
Para Priscila Castro, a universidade também tem papel fundamental na formação de profissionais conscientes sobre igualdade de gênero e responsabilidade social.
“Eu entendo que a universidade tem esse papel essencial nessa formação, porque ela não prepara apenas tecnicamente. Ela também forma para a visão de mundo, para o senso crítico e para a responsabilidade social. Então, contribuir para essa consciência, para que haja consciência de igualdade de gênero e de equidade de gênero, já faz parte da nossa rotina acadêmica e de forma séria e transversal. nas disciplinas, nós estamos conversando mais sobre isso, nos projetos, e essas relações, né, elas perpassam a todas as disciplinas. Então, eu acredito que hoje, essa, discutir a ética, a diversidade, o respeito, os direitos humanos, a igualdade, as desigualdades estruturais, também faz parte do ambiente universitário e sempre fez parte do ambiente universitário do Uniflu, uma vez que hoje nós temos profissionais atuando em diversas áreas frente a esses cenários de enfrentamento dessas pautas que são tão sensíveis e caras à nossa sociedade. Ainda hoje, em 2026, isso continua sendo uma realidade.”
Mais do que palavras bonitas em datas comemorativas, mulheres querem o direito de viver sem violência.
Porque o verdadeiro significado do Dia da Mulher não está apenas nas homenagens, mas na garantia de dignidade, igualdade e segurança todos os dias.
Serviço
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O Ligue 180 presta os seguintes atendimentos:
- orientação sobre leis, direitos das mulheres e serviços da rede de atendimento (Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros);
- informações sobre a localidade dos serviços especializados da rede de atendimento;
- registro e encaminhamento de denúncias aos órgãos competentes;
- registro de reclamações e elogios sobre os atendimentos prestados pelos serviços da rede de atendimento.
É possível fazer a ligação de qualquer lugar do Brasil ou acionar o canal via chat no Whatsapp (61) 9610-0180. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do 190.
Créditos:
G1
Gov.br


