Dia Internacional da Mulher: conheça histórias de comunicadoras que inspiram a nova geração do jornalismo

Profissionais da área compartilham experiências, desafios e conquistas na comunicação local e nacional

Por Giovana Velasco

Foto: Reprodução Pinterest

Em uma sociedade onde mulheres são constantemente desencorajadas a seguirem carreiras e vidas profissionais, é muito importante que meninas mais novas encontrem alguma referência e tenham coragem para resistir. 

Na comunicação isso não é diferente: uma gama de personagens da ficção moldaram os interesses de muitas garotas dos anos 2000, essas que trabalhavam em revistas, falavam de moda e viajavam para escrever artigos. Tendo tudo isso como base, que pessoa não gostaria de trabalhar falando do que gosta?

Com o passar dos anos, essas personagens foram deixando de aparecer com a mesma frequência, e a presença feminina em posições de destaque na ficção perdeu espaço. A representatividade que antes despertava identificação em muitas meninas acabou se tornando menos visível.

Fora das telas, no entanto, é preciso mais do que o desejo de trabalhar com o que gosta. O cotidiano da profissão envolve desafios e obstáculos que fazem parte da construção dessa trajetória.

Durante muito tempo, a presença feminina em espaços de liderança foi vista como exceção. Aos poucos, esse cenário vem mudando. Hoje é mais comum ver mulheres ocupando posições de destaque e buscando não apenas conquistá-las, mas também mantê-las, lutando por igualdade de oportunidades.

Atualmente, o cenário do jornalismo é bem diferente do que era naquela época. As necessidades e meios de comunicação mudaram e as representatividades se perderam em meio a tantas horas dedicadas a scrollar as redes sociais. Mesmo assim, há quem ainda sonhe com essa profissão.

Novos grandes nomes surgiram e dessa vez em diferentes áreas, trazendo para as garotas a sensação de que fazer o que gosta é sim possível e próximo de suas realidades.

Tati Mantovani, repórter da TNT Sports, é uma das referências para aquelas que querem seguir na carreira esportiva. Em uma exclusiva, ela conta sobre o início de sua trajetória.

“Eu sou gaúcha. Lá no Sul, pelo menos na minha época, se você fosse torcedora fanática do teu time seria impossível trabalhar com isso, por isso, nunca trabalhei com esportes. (…) Foi algo que eu nunca nem me atrevi a sonhar, até porque eu não cresci vendo mulheres fazendo o que eu faço hoje.”

Ela ainda acrescenta sobre as dificuldades e diferenças que mulheres enfrentam no mercado ainda hoje.

“Eu acredito que hoje somos mais e que o mercado já entendeu que nós chegamos para ocupar esse espaço que nos foi vetado por muito tempo. Sinto que ainda há muitas barreiras para derrubarmos para dizer que temos as mesmas oportunidades, porém acredito que cada dia somos mais e seremos. (…) Ainda há muito preconceito, mas hoje somos mais para nos defendermos. (…) O preconceito não vai desaparecer tão cedo, porém acredito que hoje escutamos menos estas pessoas que já não deveriam ter voz.”

Para finalizar, ela deixa um recado para todas que, assim como ela, querem prosseguir no sonho.

“Tentem. Vai ser difícil, vocês vão escutar muitas vezes que não servem para isso, vão se sentir excluídas, mas se é o sonho de vocês: tentem. Não digo que todas vão conseguir, mas se é o que vocês querem, tentem. Eu quase não tentei e hoje penso que teria me arrependido muito.”

A história da Tati também é reflexo de muitas outras que escolheram seguir trabalhando com esporte e ao contá-la, se mostra um exemplo de persistência. 

E não é preciso ir longe para encontrar exemplos semelhantes. Na cidade de Campos, comunicadoras também constroem suas trajetórias e mostram que é possível transformar sonho em profissão.

A atual coordenadora do setor de comunicação e marketing da Unimed Campos e professora do Centro Universitário Fluminense, Letícia Nunes, conta sua experiência ao atuar como jornalista na cidade.

“É um desafio todos os dias, porque o jornalismo em Campos precisa de uma força para se manter vivo. A gente é uma cidade que tem uma história muito bonita em relação ao jornalismo (…), mas a classe é um pouco dispersa, desunida e atingida por alguns movimentos de pessoas que não têm diploma.”

Ainda sobre a profissão, ela comenta sobre a importância do empoderamento feminino nos ambientes de trabalho.

“Como mulher num cargo de liderança hoje, e que já fui também em veículos de comunicação lidando com times só de homens e também times só de mulheres, eu tentava muito empoderá-las. Falava muito com as meninas, sempre mostrando a força da mulher, mostrando que a gente é mais do que qualquer coisa que se pense, que a gente tem técnica, conhecimento, força de vontade, o olhar do acabamento quando a gente fala de notícia e de apresentação.”

Ao final, Letícia comenta se ainda vale a pena seguir na carreira jornalística.

“Eu acho que, mesmo se eu não fosse professora e pesquisadora, e mesmo se eu não trabalhasse na área, eu responderia que sim. (…) Se não tivesse jornalismo hoje, imagina como seria o mundo? As pessoas já falam tanta bobagem sem serem jornalistas nas redes sociais… imagina se não tivéssemos o jornalismo hoje para apurar corretamente, esclarecer o que tem que ser esclarecido, dar voz para quem não tem voz? Tanta coisa já aconteceu ao longo da história por causa do jornalismo! Então, sem dúvida nenhuma, apesar de todos os motivos do universo, ainda vale muito a pena ser jornalista hoje.”

Assim como Letícia, outras profissionais também ajudam a fortalecer o jornalismo em Campos ao construírem suas histórias na região. Fúlvia D’Alessandri, assessora de comunicação da Universidade Estadual do Norte Fluminense, compartilha sua trajetória e experiências.

Ao ser questionada sobre a profissão na cidade, ela diz:

“Para quem trabalha em veículos de comunicação, acho que o maior desafio é a questão financeira, pois os salários costumam ser baixos. O lado bom é sentir que se está ajudando a construir a história do município (…) No meu caso, que atuo como assessora de comunicação na UENF, é uma grande realização. Eu me sinto abençoada por trabalhar numa instituição de ensino, pesquisa e extensão. Acredito muito na educação e na produção de conhecimento como pontes para um mundo melhor e mais justo.”

Ao final, Fúlvia fala sobre a importância da comunicação e da reformulação dos veículos de notícia.

“O jornalismo é uma profissão maravilhosa, que pode ser muito recompensadora. Muitas matérias veiculadas podem ajudar as pessoas, trazer esperança, informações importantes para tomadas de decisão, aconselhamentos, etc. 

Por outro lado, acredito que os grandes jornais precisam reformular-se, pois hoje há uma tendência a se abrir muito mais espaço para determinadas notícias, em detrimento de outras que poderiam ajudar muito mais as pessoas. 

É preciso que os novos jornalistas tenham essa sensibilidade e produzam essa mudança.”

Tati, Letícia e Fúlvia seguem diariamente inspirando e mostrando para outras meninas, mesmo que indiretamente, que trabalhar com o que ama é sim possível independentemente de seu gênero, área de atuação e local em que nasceram.

Espera-se que em um futuro mulheres possam ser lembradas diariamente que podem ocupar todos os espaços que desejam e que não seja mais um desafio conseguirem se manter neles.

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