A vitória do Flamengo sobre o Cruzeiro, no Maracanã, marcou o reencontro das torcidas com personagens que mudaram de lado após trocas de clube. Leonardo Jardim e Gerson foram alvos de muitas vaias durante a partida.
O encontro mais esperado era o do técnico com o Cruzeiro, após pedir rescisão sob a alegação de que faria uma pausa na carreira à beira do campo e afirmar, em mais de uma oportunidade, que só treinaria a Raposa no Brasil.
Antes mesmo de a bola rolar, a torcida — que compareceu em peso ao Maracanã — já protestava contra Jardim. Notas com o rosto do treinador foram distribuídas e, desde a primeira vez que ele entrou em campo, foi alvo de xingamentos: ‘Ei, Jardim, vai tomar no c’. As ofensas se repetiram também com a bola rolando.
Também havia expectativa pelo encontro dele com Pedro Lourenço, dono da SAF cruzeirense e parceiro comercial do português. No último domingo, o empresário afirmou que ‘verdades não duram 24 horas no futebol’, ao se referir a Jardim. Em campo, Pedrinho distribuiu abraços aos auxiliares que passaram recentemente pela Toca da Raposa e encontrou o técnico apenas no vestiário, longe das câmeras.
Os jogadores do Cruzeiro, por outro lado, tiveram contato com Leonardo Jardim à beira do campo antes de a bola rolar. Praticamente todos os relacionados foram até o banco de reservas do Flamengo para cumprimentar o técnico e os auxiliares, ainda que de forma rápida.
Mágoa com o Coringa
A linha de protesto da torcida do Flamengo em relação a Gerson foi parecida com a dos cruzeirenses contra Leonardo Jardim. Os rubro-negros cobram o meio-campista pela ida ao Zenit e pelo retorno ao Brasil poucos meses depois para defender a Raposa.
Desde o início do aquecimento do Cruzeiro no gramado, Gerson ouviu vaias, algo que se repetiu durante toda a partida. ‘Ei, Gerson, vai tomar no c’ e ‘É mercenário’ foram gritos entoados, especialmente no fim do primeiro tempo.
Os últimos meses de Gerson no Flamengo foram marcados por tensão, alfinetadas e idas e vindas de propostas pelo agora ex-capitão. Em entrevista à TV Globo, Marcão — pai e empresário do jogador — falou sobre o desgaste com o ex-clube e admitiu que o ambiente poderia ser hostil para o filho.
Clima tenso no Maracanã
Flamenguistas também direcionaram protestos a Marcão Silva, pai e um dos responsáveis pela carreira do jogador. Ele foi chamado de mercenário e atingido por um copo durante o intervalo, ao transitar por um setor de torcida mista na arquibancada. Marcão, familiares e amigos de Gerson foram conduzidos por seguranças a outra área do estádio. Durante a transição, houve uma nova confusão, onde o empresário foi hostilizado por torcedores do Flamengo no local. Seguranças tiveram que fazer um cerco em volta do pai do meia do Cruzeiro.
Após o apito final, uma confusão envolvendo torcedores de Flamengo e Cruzeiro no setor Sul do Maracanã. O local lotava as duas torcidas, que possuem um histórico de boa relação. Alguns cruzeirenses arremessaram cadeiras nos flamenguistas que estavam na arquibancada debaixo.
O jogo também marcou o reencontro de Tite com o Flamengo, equipe que comandou em 2024 antes de fazer uma pausa na carreira. Os protestos contra o treinador, campeão carioca pelo clube, foram tímidos.
GE


