Migrantes, morar em paz na Casa Comum!

Neste ano de eleições nacionais, pensemos nos migrantes, nos trabalhadores, camponeses e povos originários pois foram eles que em grande parte construíram o Brasil

Por Giovana Velasco

Bispo de Campos. Foto: Diocese de Campos

No mês dedicado ao meio ambiente, da campanha do junho verde, somos convidados a incluir também o drama dos irmãos que celebram a 41ª semana do migrante com o lema desafiador: “eu não tenho onde morar” que se realiza de 14 a 21 deste mês. Faz ressoar o tema da Campanha da Fraternidade 2026, fraternidade e moradia especialmente a situação descrita nos nºs 50 e 51, que localizam a realidade das moradias em áreas de risco, explanando os efeitos muitas vezes trágicos e sempre desastrosos, das mudanças climáticas, que ocasionam eventos extremos como chuvas torrenciais, deslizamentos de terra e inundações que levam de roldão moradias, bens e os patrimônios alcançados por vidas de trabalho e poupança.

São os chamados migrantes e refugiados climáticos que conheceram na pele o que significa o racismo ambiental, ou seja o que acontece com os crimes ambientais que atingem e ferem de forma desigual a população, destruindo as moradias precárias que servem de amparo e refúgio para os pequenos e desvalidos na periferia, nas encostas ou nas ribeiras de rios e do mar. Cabe citar além das tragédias de Mariana, Brumadinho, Braskem, Petropólis, Guaíba, Porto Alegre e a cidade balneária de Atafona onde deságua o Paraíba no mar e onde as águas oceânicas avançam 8 mts por ano, e os sobreviventes narram ter perdido várias casas nas que habitaram sucessivamente.

Tudo isto permite-nos ver que há migrantes que deixam a sua terra buscando outros horizontes, por fome, trabalho, perseguição ou guerras, e outros que estão se tornando migrantes por catástrofes ou emergências climáticas que lhes tiram o teto que as protegia e resguardava. Em ambos casos o sistema econômico financeiro que trás um lucro e ganância sem limites, arrasa e passa por cima de direitos, vidas e ecossistemas. Não podemos negar o efeito antropocêntrico nesta crise ou multi crise que devasta o
planeta e nos leva à incerteza e falta de perspectivas.

Neste ano de eleições nacionais, pensemos nos migrantes, nos trabalhadores, camponeses e povos originários pois foram eles que em grande parte construíram o Brasil. Por um Brasil com um desenvolvimento harmonioso, integral, solidário, sustentável e inclusivo pensado a partir do bem comum e da paz para todas as pessoas e criaturas. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diiocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 21 de Junho de 2026.

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