Uma auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE) identificou indícios da presença de funcionários fantasmas nos 77 órgãos da administração pública do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O levantamento, iniciado no fim de março, apontou servidores comissionados que não registravam acesso às repartições públicas, aos computadores institucionais nem ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), utilizado na tramitação de documentos oficiais.
Segundo a atual gestão estadual, mais de 4.283 servidores comissionados foram exonerados desde março. Apenas entre os casos classificados como de “alta criticidade” — aqueles com fortes indícios de ausência de atividade funcional — foram cerca de 1.767 desligamentos entre março e maio. A estimativa do governo é de uma economia superior a R$ 230 milhões até o fim deste ano.
Entre os órgãos auditados, a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade aparece entre os principais alvos das exonerações. Duas subsecretarias foram extintas após a demissão de todos os ocupantes dos cargos. O levantamento também aponta que, em um dos gabinetes da pasta, 110 dos 128 comissionados não acessavam o sistema eletrônico de trabalho. A Secretaria da Casa Civil também registrou mais de 1,2 mil exonerações e extinguiu subsecretarias inteiras.
A auditoria identificou ainda casos de servidores que alegaram exercer atividades externas, além de nomeações ligadas a indicações políticas e familiares de agentes públicos. Entre os nomes citados estão o ex-comissionado Marcelo Cabral D’Almeida, lotado na Secretaria do Ambiente, e a vereadora de Campos dos Goytacazes, Thamires Rangel (PMB), que chefiava uma subsecretaria posteriormente extinta. Todos os citados negam irregularidades ou afirmam que as atividades desempenhadas eram externas.
De acordo com o governo estadual, 60 dos 77 órgãos já passaram pela auditoria. Os gestores receberam relatórios individuais com as inconsistências encontradas e foram orientados a promover as exonerações necessárias. Os servidores desligados por suspeita de serem funcionários fantasmas também foram incluídos em um cadastro que impede o retorno ao mesmo órgão de origem. Entre as secretarias com maior redução proporcional de cargos comissionados estão Trabalho, Esporte e Lazer, Turismo e Ciência, Tecnologia e Inovação.


