Brasil reage a nova tarifa dos EUA e anuncia medidas após taxação sobre exportações

Governo brasileiro classificou cobrança como arbitrária, promete recorrer à OMC e avalia aplicação da Lei da Reciprocidade

Por Giovana Velasco

Foto: Poder360

O governo brasileiro reagiu nesta quinta-feira (23) à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de combate ao trabalho forçado. A medida faz parte de um pacote que atinge outros 59 parceiros comerciais e entra em vigor nesta sexta-feira (24).

Em nota oficial, o governo classificou a decisão como “arbitrária” e “injustificada”. Segundo o comunicado, a medida não possui fundamento na legislação norte-americana e utiliza uma pauta relacionada aos direitos humanos para justificar uma política de caráter protecionista.

Como resposta, o Brasil informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e pretende levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou que permanece aberto ao diálogo com os Estados Unidos, mas ressaltou que o país buscará novos mercados caso não haja acordo.

A nova tarifa se soma a outra medida anunciada pelo governo do presidente Donald Trump na semana passada, que estabeleceu uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, sob alegação de práticas comerciais desleais. Com isso, parte das exportações brasileiras poderá ser atingida pelas duas cobranças.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que cerca de 2 mil produtos brasileiros ficarão isentos das duas tarifas, entre eles café e suco de laranja. Segundo ele, setores como os de calçados e máquinas e equipamentos serão atingidos tanto pela tarifa de 25% quanto pela de 12,5%, enquanto produtos como a celulose estarão sujeitos apenas à cobrança relacionada ao trabalho forçado.

As medidas ampliam a tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos e aumentam a preocupação de exportadores brasileiros com os impactos sobre a competitividade de produtos nacionais no mercado norte-americano.

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