Crise na Casas Bahia leva grupo a pedir recuperação judicial

Empresa informa passivos de R$ 17,3 bilhões e 19,4 mil credores; pedido foi protocolado em São Paulo após prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre

Por Sâmela Braga

Foto: Reprodução

A crise financeira do grupo Casas Bahia chegou a um novo estágio. A empresa protocolou, na noite deste domingo (16), um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Na petição, a companhia informa passivos de R$ 17,3 bilhões e 19,4 mil credores quirografários, aqueles que não possuem garantias.

O pedido ocorre após a empresa relatar dificuldades para manter a operação e buscar alternativas para reforçar o caixa. No domingo, a Casas Bahia divulgou os resultados do segundo trimestre e informou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, valor 18 vezes superior aos R$ 555 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

A companhia também apresentou patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões no período. Além disso, o passivo circulante, que reúne as obrigações de curto prazo, superava o ativo circulante, indicando dificuldades para fazer frente aos compromissos imediatos.

A situação financeira também foi agravada pela redução dos estoques. Segundo os dados divulgados pela empresa, o volume caiu de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,2 bilhões em junho. No mesmo período, a cobertura dos estoques passou de 95 para 75 dias.

A redução ocorreu em meio à dificuldade de acesso a linhas de crédito comercial e financeiro. Com menos recursos disponíveis para a compra de mercadorias, a empresa enfrentou falta de produtos em determinadas categorias, lojas e canais de venda.

No segundo trimestre, a receita bruta consolidada da companhia cresceu 1,6%, chegando a R$ 8,3 bilhões. Apesar disso, as vendas nas lojas recuaram 3,5%, enquanto as vendas da plataforma de marketplace tiveram queda de 2,4%.

A Casas Bahia também informou que vem adotando medidas para reduzir custos e diminuir a necessidade de capital. Entre as ações estão o redimensionamento da rede de lojas, a gestão do capital de giro e a busca por alternativas de liquidez.

Como parte desse processo, a empresa confirmou o fechamento de 298 lojas, número que representa cerca de 30% da base da rede. Também foram realizados cortes de funcionários. Segundo informações citadas no balanço, cerca de 2 mil trabalhadores foram demitidos, com possibilidade de o número ultrapassar 3 mil.

O pedido de recuperação judicial ocorre dois anos após a empresa passar por uma recuperação extrajudicial. Desde 2024, a Casas Bahia vem registrando resultados trimestrais negativos e acumulou prejuízos em 20 dos 30 trimestres desde a saída do controle do GPA, em 2019.

No balanço mais recente, a auditoria EY não emitiu opinião sobre as demonstrações financeiras do trimestre. Os auditores apontaram incertezas relevantes relacionadas à continuidade operacional da companhia e afirmaram não ter conseguido concluir sobre a utilização da base contábil de continuidade operacional.

A empresa também atribuiu parte das dificuldades ao cenário econômico, aos juros elevados, ao custo de capital e à maior seletividade do mercado de crédito. Segundo a companhia, alternativas de captação de recursos trabalhadas ao longo de 2025 e 2026 não avançaram.

Na recuperação judicial, a Casas Bahia também solicitou uma liminar para impedir vencimentos antecipados de dívidas e evitar que transportadoras retenham produtos da rede.

Fonte: Valor.globo.com

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