A Ponte Barcelos Martins, conhecida como Ponte de Ferro, em Campos dos Goytacazes, continua interditada seis meses após apresentar problemas estruturais. Fechada desde 28 de fevereiro, a ponte era uma das principais ligações entre Guarus e a região central e atendia diariamente pedestres, ciclistas e motociclistas.
Nesta segunda-feira (24), o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro publicou a contratação emergencial da empresa FAB MIX Concretos LTDA. para elaborar o projeto executivo e executar as obras de reforço estrutural da ponte. O contrato foi firmado por contratação direta, no valor de R$ 3,6 milhões.
A contratação representa um avanço no processo de recuperação, mas ocorre depois de seis meses de interdição. Nesse período, moradores precisaram recorrer a outras pontes, aumentando o tempo de deslocamento e enfrentando dificuldades, principalmente quem depende de bicicleta ou transporte público.
Para o morador de Campos Italo Duarte, que utilizava a ponte para se deslocar de bicicleta, a interdição afetou até sua rotina social. Segundo ele, alguns dos trajetos alternativos não oferecem estrutura adequada para ciclistas e acabam levando usuários a dividir espaço com veículos.
“Deixei de visitar amigos e parentes, porque os outros trajetos são perigosos. É difícil para quem atravessa este percurso de bicicleta ir até a ponte do Ferreira ou do Fundão. Não tem bons acessos para os ciclistas e muitos acabam até se arriscando entre os carros na Ponte Leonel Brizola”, relatou.
Italo também afirma que a interdição passou a limitar o acesso a atividades culturais e de lazer no Centro. Ele cita como exemplo o Teatro Sesi, que deixou de frequentar por causa das condições do trajeto no período noturno.
“Já são seis meses que eu não consigo frequentar o Teatro Sesi, por exemplo, pois o retorno de Guarus para o Centro depois do fim de atividades noturnas é escuro, com pouco policiamento e completamente deserto”, afirmou.
Segundo o morador, a situação é agravada pela precariedade do transporte público. Para quem não se sente seguro utilizando as rotas alternativas, ônibus e vans acabam sendo a principal opção, aumentando a pressão sobre um sistema que já enfrenta problemas de lotação.
“A falta de transporte público piora a situação, porque os que não se arriscam nesses trajetos perigosos acabam aumentando a lotação de ônibus e vans que já operam de maneira precária e lotada”, acrescentou.
A Ponte Barcelos Martins foi interditada após a cheia do Rio Paraíba do Sul provocar o recalque de um dos pilares do vão central. A estrutura tem mais de 150 anos e, antes do fechamento, registrava entre 15 mil e 30 mil passagens diárias, principalmente de pedestres, ciclistas e motociclistas.
Enquanto a ponte permanece fechada, os usuários precisam utilizar alternativas como as pontes Saturnino de Brito, Alair Ferreira e General Dutra. Para ciclistas, porém, os trajetos nem sempre oferecem condições adequadas de circulação.
A demora na recuperação também levanta questionamentos sobre a atuação do poder público. A Prefeitura de Campos vem cobrando o Governo do Estado pela realização da obra, mas a contratação emergencial para o projeto e o reforço estrutural só foi publicada após seis meses de interdição.
Ainda não foi divulgada uma data para a conclusão dos trabalhos e a reabertura da ponte. Até lá, moradores continuam convivendo com uma importante ligação entre Guarus e o Centro fora de operação, com impactos que vão além do trânsito e atingem o acesso ao trabalho, transporte, lazer e convivência social.


