A serenidade a lucidez necessárias para um discernimento cidadão e cristão nas eleições

A soberania possui várias dimensões que passam pela integridade do território, equilíbrio ambiental, respeito às populações, direito a um desenvolvimento integral, solidário, sustentável e inclusivo para todos(as), paz e justiça

Por Giovana Velasco

As eleições políticas na atual conjuntura que vive a humanidade envolvem muito mais que a escolha de candidatos. Questões graves e sérias como democracia, soberania, vida e dignidade da pessoa e o mesmo destino da Casa Comum estão em jogo e fazem parte da reflexão serena e lúcida que nos exige o momento atual. Quando se afirma o lugar comum que voto não tem preço mas consequências, poderíamos acrescentar que tem consequências que afetarão as próximas gerações. Viver numa democracia não é o mesmo que ser um pária de direitos civis numa tirania.

A soberania possui várias dimensões que passam pela integridade do território, equilíbrio ambiental, respeito às populações, direito a um desenvolvimento integral, solidário, sustentável e inclusivo para todos(as), paz e justiça. O valor altíssimo dos direitos humanos e da dignidade da pessoa como afirma o Papa Leão XIV na Magnífica Humanitas nunca não podem ser esquecidos, especialmente no momento de emitir o voto, pois votamos como pessoas em favor de todas as pessoas. Ainda o discernimento demandará analisar cuidadosamente as falas, programas de governo, plataformas partidárias e gestões no caso dos candidatos que aspiram a reeleição, peneirando a verdade, o benefício das leis ou obras aprovadas ou realizadas,e a fidelidade aos valores humanos e cristãos que pautam nossa sociedade e Constituição.

Não poderíamos olvidar ainda a primeira campanha da Fraternidade sobre Fraternidade e Política ocorrida em 1996 há 30 anos atrás com o lema do Salmo 84 “Justiça e Paz se abraçarão” e que trazia  como objetivo geral: “contribuir para a formação política dos cristãos para que exerçam sua cidadania sendo sujeitos da construção de uma sociedade justa e solidária”. E como objetivos específicos: 1. Ampliar o conceito de política para além dos processos eleitorais, 2. Oferecer elementos para um novo exercício da política a partir do pobre e do excluído, 3. Incentivar as pessoas a se tornarem sujeitos da ação política na promoção do bem comum, 4. Clarear a ligação da política com o cotidiano das relações familiares, comunitárias e eclesiais e 5. Estimular as práticas políticas e o exercício de cargos públicos revisando permanentemente o uso do poder como serviço e não como dominação.

Ainda no momento do julgar atual iluminar se davam dois critérios de discernimento, o da tradição tomista da vivência da virtude cardeal da justiça para os governantes e o da tradição agostiniana a perspectiva da mudança das estruturas na linha do Reino e da sua consumação  escatológica para todos os gestores públicos. Finalmente que nosso voto possa gerar e ajudar a desenvolver processos de Paz, unidade e reconciliação tão necessários para a  boa convivência e tranquilidade da Nação brasileira. Deus seja louvado!

+ Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 30 de Agosto de 2026.

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