No dia 15 de abril comemoramos o Dia Mundial do Desarmamento Infantil, que promove a troca de armas de brinquedo por brinquedos que alegrem e desarmem os corações. Acostumar as crianças a pensar que é natural as pessoas humanas usarem de armas para as guerras e resolverem desta forma os conflitos, é o mesmo que prepará-las para se tornarem soldados sem consciência do que fazem, ignorando as populações dizimadas e a terra destruída. As armas reproduzem um futuro violento pois abdicam do diálogo, da concórdia e da escuta do outro.
Despertar nas crianças a fascinação por armas é o mesmo que formá-las para a caça ou outros enfrentamentos, pois armas precisam ser testadas e as guerras atuais em parte são lugares de prova das armas mais sofisticadas e letais. Elas no seu glamour e encanto nos fazem sempre ver o outro como uma ameaça ou um ser fraco a dominar, confiar nas armas é o triste começo a desistir do outro como irmão, como alguém que nos complementa e no caso das crianças um amigo que quer brincar conosco. Estavam certos os cristãos que viam nas armas um obstáculo ao Evangelho, a seguir ao Príncipe da da Paz e nos três primeiros séculos da nossa era, se negaram a usá-las.
Junto a Maria Montessori, Mahatma Gandhi, Lanza del Vasto, Leon Tolstoi, Martin Luther King, Dom Helder Câmara afirmamos mais que nunca a necessidade de uma educação que gere cultura de paz e não violência, aberta ao diálogo e a mediação como método de resolver os conflitos e na empatia e na escuta ampliar o consenso e firmar a convivialidade harmoniosa. Não queremos como defendia Samuel Huntington o Choque das Civilizações, ou o Imperialismo deslavado, mas profetizamos e desejamos com fé a sinfonia e o encontro amoroso dos povos e nações, sonho das nossas crianças. Nos posicionamos firmemente contra a prática de usar nas guerras os meninos soldados sequestrados das suas famílias, ou até a máxima crueldade de torná-los bombas vivas.
Deixai vir a mim as criancinhas dizia nosso Senhor Jesus Cristo, porque o Reino da Paz, do amor e da graça pertence a elas, nunca as escandalizemos com os brinquedos da cultura da morte! Deus seja louvado !
+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 19 de Abril de 2026.
