Páscoa de Jesus, escola e fonte de perdão e reconciliação

Jesus tem a iniciativa de aparecer e ir sanando e renovando os vínculos de amor e entrega dando-lhes repetidamente a saudação da paz, recomeçando uma existência e relação luminosa e surpreendente para eles e com eles

Por Giovana Velasco

Bispo de Campos. Foto: Diocese de Campos

Ao meditar sobre os encontros pascais dos apóstolos e da comunidade de
discípulos com o Ressuscitado, vemos que além de revelarem a presença de Cristo vivo
são narrativas de reconciliação que curam as feridas e as imagens aterradoras da morte
do seu amado Mestre. Jesus tem a iniciativa de aparecer e ir sanando e renovando os
vínculos de amor e entrega dando-lhes repetidamente a saudação da paz, recomeçando
uma existência e relação luminosa e surpreendente para eles e com eles.
Desta maneira a espiritualidade Pascal abre para a Igreja e toda humanidade uma
nova perspectiva, um caminho aberto para a vida plena e reconciliada com Deus, com
tudo e com todos, sendo sinal inequívoco de uma nova Criação. Por isso o anúncio de
Cristo Ressuscitado transmite uma comunicação amorosa que convida a participar da
formação de uma nova humanidade, de uma sanação e libertação do ódio, das
inimizades, do rancor e da violência homicida. Não seria coerente nem credível
anunciar a alegria da Páscoa, com uma espiritualidade de combate, ou com uma
linguagem e atitudes de julgamento condenatório, de agressividade contra grupos,
etnias, ou formas de pensamento divergente, ou ainda injuriar e discriminar pessoas que
se consideram perdidas.
O Pe. Zezinho conhecido compositor e como ele quer ser chamado catequista
católico conclama para uma espiritualidade reconciliatória não violenta, dialógica e
clemente, pacificadora e iluminadora buscando convergências, pontos de acordo e
praticando a cultura do encontro e a amizade social que o Papa Francisco apresentou
com inspiração e bondade. Ressuscitar e renascer na Páscoa implica entre outras
atitudes em tornar-se artesão da paz, ponte, mediador, embaixador do perdão e da paz.
Deixemos o homem e a mulher velhos para trás, superemos as polarizações e as
narrativas fechadas e cristalizadas na intolerância, demos chance a graça e a paz, frutos
do dom de Deus o Espírito Santo.
Cultivemos sim a comunhão fraterna, ampliando e espraiando a Tenda da nossa
comunidade, família e do próprio coração, a todas as pessoas e criaturas, fazendo
acontecer o humanismo solidário, a civilização do amor e da ternura, que derruba muros
e barreiras de incompreensão, desconfiança e indiferença construindo novos laços,
relacionamentos, e vínculos para testemunhar com alegria a presença e esplendor da
vida do Ressuscitado entre nós. Deus seja louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 10 de Maio de 2026.

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