STF e PF preparam novas fases da Operação Unha e Carne com foco em investigações sobre deputados estaduais

Apurações devem aprofundar a investigação sobre possíveis ligações entre agentes públicos, milícias e facções criminosas, segundo investigadores

Por Giovana Velasco

O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) preparam novas fases da Operação Unha e Carne, que devem ampliar as investigações sobre possíveis vínculos entre deputados estaduais do Rio de Janeiro, milícias e facções criminosas. Segundo investigadores, as próximas etapas poderão atingir parlamentares de centro-direita, incluindo integrantes de grupos políticos aliados ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

A operação já teve seis fases deflagradas. A mais recente ocorreu na última terça-feira (7), quando a Polícia Federal realizou buscas e cumpriu medidas cautelares contra investigados suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Entre os alvos estava o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), pré-candidato ao Senado. Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

Deflagrada no fim de 2025, a Operação Unha e Carne teve como foco inicial a investigação de um suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas a ações policiais contra o Comando Vermelho. Um dos primeiros alvos foi o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.

Com o avanço das investigações, a Polícia Federal passou a apurar também suspeitas de relações entre agentes públicos e organizações criminosas, incluindo facções e milícias. Nas fases mais recentes, a operação passou a concentrar esforços em crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraudes em contratos públicos e supostas conexões entre agentes públicos e grupos criminosos.

Na quinta fase da operação, realizada na semana passada, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra investigados por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro, entre eles o empresário Fernando Trabach Gomes. As diligências foram autorizadas pelo STF após a análise de documentos apreendidos em fases anteriores da investigação.

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