A seleção brasileira do projeto social Paraesporte sagrou-se campeã do mundo de futebol unificado durante o torneio internacional disputado em Paris. Representando o Brasil após ser eleita a melhor equipe do país na modalidade, a delegação superou os elencos de outras 22 nações em uma campanha marcada pelo alto nível técnico e pelo forte impacto de inclusão social através do esporte.
O futebol unificado se destaca por uma dinâmica de integração direta: os times participantes são compostos por 60% de jogadores com deficiência intelectual e 40% de atletas parceiros, que não possuem a deficiência. De acordo com o presidente do projeto, Rafael Thuin, essa estrutura promove a verdadeira cidadania. “A gente coloca as pessoas com deficiência dentro da sociedade”, afirmou o dirigente, que celebra os 14 anos de fundação da instituição em seu sétimo campeonato fora do país.
A trajetória até o topo do pódio exigiu resiliência física e emocional dos jogadores em confrontos equilibrados. O goleiro da seleção, Gabriel, relembrou os momentos de maior tensão na caminhada até o ouro, destacando o empate em 2 a 2 na fase inicial com a forte equipe da Jamaica e a grande decisão contra o Equador. “Para mim foi uma experiência maravilhosa. Jogos muito difíceis, principalmente a final contra o Equador, que foi só 1 a 0. Graças a Deus saí com o título e tô em busca de mais”, comemorou.
Para além do resultado esportivo e das medalhas douradas no peito, a conquista reforça o caráter pedagógico e humanitário do projeto sediado no Brasil. Para a comissão técnica, conviver diariamente com os atletas traz lições profundas sobre superação. “Às vezes a gente acha que ensina a eles, mas eles ensinam a gente muito mais. A gente aprende, com todas as dificuldades que eles têm, o que é felicidade, o que é amor, o que é carinho”, concluiu Thuin, estendendo os agradecimentos também aos familiares e profissionais envolvidos na jornada campeã.


