A população brasileira está vivendo uma verdadeira crise com o número altíssimo de pessoas com doenças hepáticas virais. Um em cada cinco pacientes com 80 anos ou mais internados por hepatite viral no Sistema Único de Saúde morre durante a hospitalização. A mortalidade chega a 20,9% nesse grupo etário. Segundo a base em dados do DataSUS, que mapeou 42.314 internações por hepatites virais entre 2016 e 2025. A mortalidade hospitalar sobe de forma constante com a idade: de 6,5% entre adultos de 18 a 59 anos, passa para 14,2% na faixa de 60 a 69 anos, chega a 16,1% entre 70 e 79 anos e atinge 20,9% a partir dos 80 anos. É uma boa oportunidade para se buscar uma conscientização para o problema que está alcançando níveis muito elevados, com crescimento acelerado entre os brasileiros.
Os últimos números do governo federal apontam um crescimento de 56% nos últimos cinco anos em casos de Hepatite A. Criada em 2010, pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a data tem por objetivo conscientizar sobre os tipos de hepatites virais e a importância de haver ações de controle da doença que causa a morte de 1,4 milhão de pessoas no mundo, seja em decorrência de infecções agudas, cirrose ou de câncer hepático. Para lembrar, as hepatites virais são causadas por infecções, muitas vezes, assintomáticas.
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da Hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da Hepatite E, encontrado com maior facilidade em países da África e da Ásia. Aqui no Rio, este crescimento pode ser sentido nos hospitais da Assim Saúde, criando um alerta para o problema.
O médico, Dr. Marcelo Dibo, diretor do Hospital Fuad Chidid, o maior do Grupo Assim Saúde, está preocupado com a expansão da doença, que pode ser sentido no dia a dia da rede hospitalar do grupo, que é a maior do Rio de Janeiro: “ A procura por atendimento especializado em hepatologia vem aumentando de forma significativa. Isso ocorre tanto pelo maior acesso a exames de imagem e laboratoriais, que identificam alterações hepáticas precocemente, quanto pelo crescimento de doenças metabólicas, como obesidade e diabetes, que favorecem o desenvolvimento da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD). Além disso, ainda recebemos muitos pacientes com hepatites virais, doenças autoimunes do fígado, cirrose e câncer hepático.”
No Rio, a maior incidência é de Hepatite C com 38,9% dos casos, seguido da Hepatite B (36,8% dos casos) e Hepatite A (23,4% dos casos). As hepatites virais podem se manifestar de diferentes maneiras e a evolução das infecções ocasionadas pelos vírus das hepatites B ou C podem resultar em estados crônicos. Isto é, seja por negligência ou dificuldade em receber diagnóstico, muitas pessoas levam anos para descobrir a infecção. No entanto, quando ocorrem, os sintomas podem incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômito, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.
Para o Dr. Marcelo Dibo, “As doenças hepáticas representam um importante problema de saúde pública. Muitas delas evoluem de forma silenciosa durante anos, sem sintomas, e quando o paciente procura atendimento já pode apresentar cirrose ou até câncer de fígado. Investir em prevenção, vacinação contra hepatite B, rastreamento das hepatites virais, combate à obesidade, ao consumo abusivo de álcool e ampliação do acesso ao diagnóstico precoce reduz complicações, transplantes e mortalidade.”
Ele confirma o crescimento desse tipo de atendimento nos hospitais da rede Assim Saúde com este problema: “Observamos uma mudança importante no perfil dos pacientes. Se antes predominavam as hepatites virais, hoje cresce rapidamente o número de pessoas com doença hepática relacionada à obesidade, diabetes e síndrome metabólica. Esse cenário acompanha o aumento da obesidade na população. Paralelamente, ainda encontramos casos graves decorrentes do consumo excessivo de álcool e pacientes que descobrem hepatites virais tardiamente, apesar de existirem tratamento e, em alguns casos, prevenção por vacinação.”
O melhor tratamento continua sendo a prevenção. Por isso, ficar alerta para alguns cuidados é muito importante:
A) Evitar o compartilhamento de objetos pessoais que possam estar contaminados com sangue, em serviços de manicure e pedicure e de tatuagem. Seringas, agulhas, alicates de unha, lâminas ou escovas de dente;
B) Nunca deixe de utilizar preservativos durante as relações sexuais;
C) Manter boa higiene das mãos e consumir água potável e alimentos preparados com segurança, reduzindo o risco de hepatites transmitidas por via fecal-oral.
D) Manter a vacinação contra hepatite B em dia;
E) Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
F) Manter alimentação equilibrada, controlar o peso, praticar atividade física regularmente e tratar diabetes, colesterol elevado e hipertensão;
G) Evitar automedicação e o uso indiscriminado de medicamentos, suplementos e produtos naturais, que também podem causar lesão hepática;
H) Realizar exames periódicos, especialmente pessoas com fatores de risco, permitindo diagnóstico precoce e tratamento antes do surgimento de complicações.


