A crise na saúde de Campos dos Goytacazes (RJ) se agravou ainda mais nesta terça-feira (8), quando o prefeito Wladimir Garotinho (PP), durante reunião do Conselho Municipal de Saúde, anunciou que o município pode devolver a PPI (Programação Pactuada Integrada) caso o Governo do Estado do Rio de Janeiro não restabeleça o cofinanciamento. Segundo ele, a cidade não tem mais condições de arcar sozinha com a estrutura de atendimento médico-hospitalar que também serve a dezenas de municípios da região.
De acordo com o prefeito, Campos está sem receber repasses do estado há um ano e meio, mesmo sendo referência regional em saúde e acolhendo pacientes de diversos municípios. Ele relembrou que, em junho, o então governador em exercício, o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), revogou a resolução que garantia repasses estaduais para custeio dos atendimentos, em plena vigência de convênio e sem apresentar critérios técnicos.
Wladimir comparou os investimentos recebidos por Campos com os de outras cidades. Segundo ele, Nova Iguaçu, que não atende pacientes de fora, possui apenas dois hospitais e já recebeu R$ 250 milhões este ano. “Nova Iguaçu tem um orçamento de R$ 338 milhões para a saúde em 2025. Campos, que tem muito mais demanda, recebeu zero”, afirmou.
O prefeito também citou os repasses per capita em diferentes cidades da região para ilustrar a desigualdade. Enquanto São João da Barra recebe R$ 24 mil por habitante, e Quissamã R$ 20 mil, Campos recebe apenas R$ 5 mil, mesmo sendo responsável pelo atendimento dos moradores dessas localidades. Ainda segundo Wladimir, Itaocara recebe R$ 11 mil por habitante, valor mais que o dobro do recebido por Campos.
Diante desse cenário, o prefeito classificou como “covardia” a postura do Estado em cortar os repasses unilaterais e sem diálogo. Para ele, manter os atendimentos diante do corte seria irresponsável com os próprios moradores de Campos. “É uma decisão muito difícil de ser tomada, mas não me resta outra alternativa”, disse.
Mesmo diante da crise, Wladimir ressaltou que o município continua atendendo todos os pacientes e deseja manter esse padrão, desde que o governo estadual cumpra sua parte no pacto federativo da saúde. Ele encerrou reforçando que a luta é pela cidade: “Seguiremos aqui lutando e não brigando, mas lutando por você, pela sua saúde e pela cidade de Campos”.


