O título mundial da série mista (três bolas e dois arcos) do conjunto ficou só a 0.1 de distância. Essa foi a diferença entre as notas da vencedora Ucrânia e do Brasil, medalhista de prata no Mundial do Rio de Janeiro. Avaliações tão parecidas levantaram discussões sobre os critérios dos juízes, especialmente quando torcedores apontaram falhas na apresentação ucraniana e saudaram as brasileiras aos gritos de “é campeão”. O ge, então, explica as razões pelas quais a equipe europeia levou vantagem na disputa na quadra da Arena Carioca 1, no Rio de Janeiro, na tarde de domingo (24).
Para iniciar, vale entender o que é observado para definir os resultados dos conjuntos. Cada equipe parte de uma nota de dificuldade, baseada em critérios da Federação Internacional de Ginástica (FIG), levando em consideração o que as atletas precisam fazer com o corpo e os aparelhos durante as séries. Somam-se a isso as avaliações de execução (aqui entram deduções por eventuais quedas, por exemplo) e parte artística, mais voltada à expressividade das competidoras.
– Nosso artístico é maior, a execução ficou um pouquinho mais baixa, mas as ucranianas fizeram meio ponto a mais na nota de dificuldade corporal e 0.300 a menos na dificuldade do aparelho. Isso deu a elas uma vantagem de 0.200 na dificuldade total. Analisamos as trocas, os riscos, e o risco individual delas é de valor bastante alto. Foram detalhes que fizeram a diferença – explicou a comentarista Renata Teixeira, durante transmissão do sportv2.
E quanto à execução da série da Ucrânia, com nota superior à do Brasil? A também comentarista Juliana Coradine entende que os erros das europeias não justificariam descontos maiores do que os aplicados pela arbitragem. Logo no início da apresentação, uma das atletas quase deixou a bola cair, mas conseguiu impedir que o aparelho tocasse na quadra.
– A Ucrânia fez uma série cravadinha. Elas passaram muito bem pelo conjunto misto. Tiveram pequenas imprecisões, mas nada que comprometesse tanto a nota. A série tem um grau de dificuldade muito alto, e as meninas conseguiram fazer uma boa coreografia. Vimos uma limpeza corporal. Ficamos na adrenalina esperando o ouro para o Brasil, mas a Ucrânia passou muito bem – afirmou Juliana, ao sportv2.
Ainda vale destacar que um conjunto só pode pedir revisão da própria nota. Ou seja, as brasileiras não conseguiriam questionar a avaliação das ucranianas junto à arbitragem.
Mesmo que o ouro não tenha chegado, o desempenho do Brasil precisa ser valorizado. O conjunto conquistou as duas primeiras medalhas da história do país em Mundiais – além da prata na série mista, veio outra na prova geral, no sábado (23). Resultados importantes no presente, mas que também já alimentam uma esperança para o futuro.
– Ir ao pódio (no Mundial) nos dá mais gás. Já vínhamos fazendo história e agora concretizamos o Brasil como uma potência mundial. Somos o segundo melhor país do mundo. Começamos muito bem o ciclo. Temos combustível para melhorar cada vez mais e chegar aos Jogos de Los Angeles para buscar a tão sonhada medalha olímpica – projetou a ginasta Nicole Pircio, titular do conjunto verde e amarelo.
Fonte: GE


