O caminhar juntos para fazer história, reinventar trilhas e frequentar o futuro, passa como
dizia bem o Papa Francisco no discurso de abertura do Sínodo da juventude no 03 de outubro de
2018, pelo compromisso e atuação com responsabilidade e discernimento.O discernimento cristão é
um exercício exigente da virtude da prudência, que sob a guia do Espírito Santo permite descortinar
nas crises as oportunidades e abrirmo-nos para buscar saídas, soluçoēs para os desafios e gargalos
da nossa realidade atual. Como superar a crise de representação (a sub representação dos
trabalhadores, das mulheres, dos negros, dos indigenas, das pessoas com deficiências e outras
populações), a confiança na classe dirigente, nos partidos existentes que funcionam mais como
consórcios eleitorais, no desencanto na política?
É hora como afirmava Dom Carlo Maria Card. Martini e o teólogo Enzo Bianchi no seu
livro Parola e Política, na companhia de todos os homens e mulheres de boa vontade de anunciar a
Palavra da Cruz, a Palavra profética, que na parresia (audácia do Espírito) convida a demolir a
lógica da inimizade com suas variantes : necropolítica, política do ódio, da guerra contra todos, para
edificar a Paz desarmada e desarmante apregoada pelo Papa Leão XIV. Reconstruir a amizade
social, o diálogo paciente e o consenso em torno a valores permanentes que façam acontecer e
surgir uma nova geração de cidadãos e líderes, que vivam a nobreza política e como ensinava São
Paulo na Epístola aos Romanos cidadãos que sejam irrepreensíveis e íntegros.
Discernimento que nos permita libertar-nos da ameaça das Big Techs, plataformas geradoras
de desinformação, falsidades, fake news e deep news,que confundem, intimidam e distorcem
propostas, difamam candidatos e disseminam o medo. Desmascarar as idolatrias, do mercado
auto regulável e intocável, do Estado patrimonialista e leiloado, do mito das armas, do
licenciamento que destroi os biomas e a diversidade ambiental, do lucro descabido e dos juros
perversos,das emendas descontroladas e particularistas. Não perder o foco do essencial,construir e
defender um projeto de Nação, desenvolvimento integral, solidário inclusivo e sustentável,
democracia e Estado social de Direito, sem admissão de práticas golpistas, da corrupção
escancarada e do câncer do crime organizado.
Não esquecer as três palavras ou lema do Papa Francisco em Cochabamba Bolívia, Terra
teto e trabalho para todos/as, especialmente neste ano assumir como critério de escolha, o tema da
moradia digna e decente para todas as famílias. Pensando no bem comum e na cidadania plena para
os pobres, vencendo o medo com a esperança cristã, abriremos caminho. Deus seja louvado!
+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 22 de Fevereiro de 2026.
