Do Junho Verde ao voto verde e a paz “verde” com toda a Criação

Certamente num ano de eleições nacionais esta agenda tem que iluminar o discernimento a respeito dos candidatos que se apresentam para cargos executivos e legislativos

Por Giovana Velasco

Bispo de Campos. Foto: Diocese de Campos

Dentro das indicações pastorais sobre o caminho da Ecologia Integral, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB, o item “h” , propõe intensificar ações educativas e comunitárias ligadas a Campanha do Junho Verde que promovida pela nossa Conferência inspirou a lei 14.393/2022, incentivando mutirões ecológicos e momentos de sensibilização e conscientização sobre a Laudato Si e ações de reflorestamento e de limpeza urbana, e rural. Certamente num ano de eleições nacionais esta agenda tem que iluminar o discernimento a respeito dos candidatos que se apresentam para cargos executivos e legislativos. Esquecer ou negar a grave crise de paradigma civilizatório e humanitário que estamos vivendo será suicida, ouvir o grito da Terra, da água, das criaturas e conhecer com humildade as práticas do bem viver e do bem conviver e cuidar a Criação dos povos originários de Abya Yala nome coletivo dado pelo povo Kuma a todos esses povos e que significa terra madura, terra viva e que floresce, torna-se cada vez mais urgente e necessário. Continuar com o estilo de dominação predadora, mercantil e degradante é optar pela autodestruição. Votar ou respaldar políticos que não dão a mínima, debocham ou no máximo prometem pífias medidas compensatórias de replantio de árvores é endossar o nosso futuro de refugiados climáticos, de carência de água potável, de alimentação tóxica e insegurança total de moradia. Aqueles políticos que pensam na terra só como mercadoria e lucro, estão impedindo o florescimento e existência da vida humana e planetária.
Possamos escolher pessoas não apenas honestas e íntegras, mas profetas e artesãos da vida, que ponham sempre as pessoas e a terra em primeiro lugar. Não basta crescimento econômico ou desenvolvimento, senão se torna sustentável e harmonioso, um planeta onde caibam todos/as como dizia Eduardo Galeano. Finalmente e não menos importante é saber que não existirá paz, se não pactuamos uma aliança de vida como fez Noé com Deus para proteger a toda Criação. Hoje não teremos uma nova arca para nos salvar, precisamos sim de nos convertermos em jardineiros e cuidadores da nossa Mãe Terra, também escolhendo bem os nossos representantes, e acompanhando sempre seus projetos, para não só protelar a desastre, mas sermos capazes com a inspiração do Sopro da Vida o Espírito Santo, renovar profundamente a face da Terra. Deus seja
louvado!

+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 14 de Junho de 2026.

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