A Lei Seca completa 18 anos em 2026 consolidada como uma das principais políticas públicas de segurança no trânsito do país. No Estado do Rio de Janeiro, onde as operações começaram em 2009, quase 5 milhões de motoristas já foram abordados em mais de 42,6 mil fiscalizações, com a realização de 4,5 milhões de testes do bafômetro.
Os resultados ao longo dos anos apontam redução de pelo menos 40% nos acidentes e vítimas. Na comparação entre 2008 e 2025, a taxa de mortes no trânsito no estado caiu mais de 21%, enquanto o número de feridos teve redução de 38,6%.
Apesar dos avanços, os dados mais recentes acendem um alerta. Em 17 anos de fiscalização, mais de 360 mil ocorrências envolvendo consumo de álcool ao volante foram registradas no Rio de Janeiro.
Entre 2014 e 2019, a alcoolemia foi identificada em 4,97% das abordagens realizadas pela Operação Lei Seca. Já entre 2022 e abril de 2026, esse percentual subiu para 10,10%, mesmo com uma redução no número total de motoristas fiscalizados. Em 2026, até abril, 9,47% dos condutores abordados apresentaram sinais de consumo de álcool.
Autor da Lei Seca, o deputado federal Hugo Leal afirmou que a legislação foi responsável por salvar milhares de vidas e mudar hábitos da população, mas ressaltou que os números recentes mostram a necessidade de reforçar as ações de conscientização e fiscalização.
“A Lei Seca valeu a pena porque já salvou mais de 60 mil vidas, mudou hábitos e deixou claro que beber e dirigir não é um direito individual, é uma ameaça coletiva. Mas os números recentes mostram que não podemos achar que essa mudança está garantida para sempre”, afirmou.
O cenário no Rio acompanha uma tendência nacional. Desde a entrada em vigor da Lei Seca, em 2008, até maio de 2025, o Brasil registrou mais de 3,2 milhões de infrações relacionadas à combinação entre álcool e direção, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito.
Somente em 2025 foram contabilizadas 452.977 infrações em todo o país. Já em 2026, até abril, foram 160.678 registros, média superior a 1,3 mil ocorrências por dia.
Para Hugo Leal, os 18 anos da Lei Seca representam um marco importante, mas exigem a continuidade das campanhas educativas e da fiscalização. “A fiscalização precisa ser firme, mas a consciência precisa vir antes da blitz. O ideal é que o motorista não beba e dirija porque sabe que pode matar, não apenas porque teme ser multado”, destacou.


