Mulher vítima de violência terá acolhimento específico em fluxo implantado no HGG

Hospital torna-se referência em Guarus para atendimento e encaminhamento da paciente aos órgãos de proteção e políticas públicas

Por Giovana Velasco

Foto: Girlane Rodrigues

O Hospital Geral de Guarus (HGG) tornou-se uma das referências para acolhimento e assistência à mulher vítima de violência. A direção do hospital criou um protocolo para esse público diante do primeiro sinal apresentado, seja em pacientes ou acompanhantes.

De acordo com o superintendente do HGG, médico Vitor Mussi, essa necessidade a mais de cuidado foi observada na rotina hospitalar com relatos de violência na narrativa implícita da mulher durante os múltiplos atendimentos no hospital.

“Além disso, fomos procurados pela defensora pública do Estado Rita Bicudo e pela subsecretária de Atenção à Mulher, Josiane Borges, para oficializar esse fluxo e, com isso, nos tornamos referência em toda Guarus em acolher essa vítima e encaminhá-la para os serviços de políticas públicas de Campos”, afirmou.

A diretora clínica do HGG, médica Luisa Barreto, destacou que a elaboração do fluxo concretizou a vontade do hospital em contribuir com mais esse acolhimento na cidade, agora, específico para a mulher. “Sempre tivemos esse olhar cuidadoso às mulheres que recebemos. E elas se abrem durante o atendimento mostrando suas necessidades mais íntimas às nossas psicólogas e assistentes sociais. A partir de agora, elas poderão ser encaminhadas diretamente para os equipamentos que, de fato, poderão acompanhá-las fora do hospital”.

Segundo a coordenadora do serviço social do HGG, a assistente social Ana Teresa de Sá, as vítimas de violência estão no hospital por algum motivo clínico, não necessariamente por agressões naquele momento. “Cuidamos do paciente de forma integral e não só pela queixa aparente que ela apresenta, como pressão alta, doenças infecciosas ou crises de ansiedade. Nossos serviços vão além e agora elas terão o devido encaminhamento da administração do hospital via sistema informatizado para a Delegacia da Mulher ou outros órgãos de apoio em casos de violência”, explicou.

A coordenadora de Psicologia do HGG, psicóloga Lia Regina Tinoco, acrescentou que a mulher vítima de violência costuma apresentar dificuldade de comunicar as emoções, baixa autoestima, sobrecarga psíquica e outros sintomas. “Acolhemos e validamos os seus relatos e sentimentos, oferecendo um espaço seguro e de privacidade, numa abordagem breve e focada. Tratamos de forma clínica e emergencial. Mas as necessidades delas como assistências jurídica e social e acompanhamento psicológico específico poderão ser atendidas com este novo fluxo criado”, falou.

Entenda o fluxo na Emergência

Um funcionário recebe queixa de paciente ou acompanhante sobre violência e o encaminha para atendimento médico, psicológico e social, de acordo com a necessidade. Depois de ter os sinais vitais aferidos, a paciente é inserida na classificação de risco laranja, que requer um nível de urgência do serviço médico.

O atendimento direcionado abrange vítimas de violência sexual, física, psicológica, moral e patrimonial. O HGG, então, notifica o Sistema de Informação de Agravos de Notificação, o Sinan, que faz um planejamento estratégico de saúde. A administração do hospital também é comunicada, assim como o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam). Se necessário, a vítima será encaminhada para o Hospital Ferreira Machado (HFM), referência em emergência de trauma, e também à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Se a vítima for menor de idade, o Conselho Tutelar também é acionado.

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