A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de proibir a publicidade de casas de apostas em espaços públicos não impediu que as chamadas “bets” continuassem investindo pesado em campanhas nas redes sociais. Enquanto outdoors, pontos de ônibus e outros equipamentos urbanos passam a ficar livres desse tipo de anúncio, plataformas como Instagram, Facebook e Threads seguem exibindo centenas de propagandas.
O decreto, publicado no último dia 13 pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), proíbe a divulgação de empresas de apostas em locais cuja exploração publicitária dependa de autorização, concessão ou licença do município. A medida vale para outdoors, mobiliário urbano, eventos promovidos pela prefeitura e outros espaços públicos.
No entanto, a restrição não alcança o ambiente digital, cuja regulamentação é de competência federal e das próprias plataformas de tecnologia. Com isso, as campanhas continuam sendo exibidas normalmente nas redes sociais.
Um levantamento realizado na Biblioteca de Anúncios da Meta identificou, até o início de julho, pelo menos 1.138 anúncios ativos de dez das principais casas de apostas do país. As campanhas estavam distribuídas entre Instagram, Facebook, Threads e a Audience Network, sistema que também exibe publicidade em aplicativos e sites parceiros.
Entre as empresas analisadas, a Betnacional concentrava o maior número de anúncios ativos, com 492 campanhas. Em seguida apareciam Esportes da Sorte, com 170, e Superbet, com 108. Também foram identificadas propagandas da Betano, Bet365, Sportingbet, 7Games, EstrelaBet, VaideBet e Onabet. Todas estavam autorizadas a operar pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Os dados também mostram que a publicidade cresceu durante a Copa do Mundo. No dia 8 de junho, três dias antes do início da competição, foram registrados 69 novos anúncios. O mesmo número voltou a ser observado na abertura do torneio. Em 18 de junho, foram 82 campanhas, enquanto o maior pico ocorreu em 3 de julho, quando 176 anúncios foram lançados em apenas um dia.
Apesar da quantidade de campanhas identificadas, a Meta não divulga quanto cada empresa investiu, quantas pessoas foram alcançadas ou quais critérios foram utilizados para direcionar os anúncios aos usuários. A plataforma permite visualizar as peças publicitárias, mas não fornece informações sobre os valores aplicados ou o perfil do público atingido.
Fora das redes sociais, os investimentos do setor também são expressivos. Segundo levantamento da Tunad, as dez principais casas de apostas investiram juntas R$ 327,2 milhões em publicidade no Brasil entre janeiro e março de 2026. A Betano liderou os aportes no período, com R$ 57,9 milhões, seguida pela Superbet, com R$ 40,5 milhões, e pela Bet do Milhão, com R$ 38,1 milhões. A televisão aberta concentrou a maior parte desses investimentos.
O decreto municipal determina que qualquer elemento capaz de identificar plataformas de apostas, como logomarcas, nomes comerciais, aplicativos, sites, slogans, promoções e mascotes, seja retirado dos espaços públicos sob responsabilidade da prefeitura. Segundo o município, a medida busca reduzir a exposição da população, principalmente crianças e adolescentes, à publicidade de jogos de azar.
Além das restrições municipais, desde 17 de julho passaram a valer novas regras federais para a publicidade do setor. As campanhas agora devem conter alertas sobre os riscos financeiros e a possibilidade de dependência, além de estarem proibidas de apresentar as apostas como forma de investimento, renda garantida ou solução para problemas financeiros. Também foi vedado o uso de comentaristas esportivos e influenciadores para transmitir a impressão de recomendações técnicas sobre apostas.
Mesmo com as novas restrições, a publicidade das casas de apostas continua forte no ambiente digital, onde as campanhas permanecem fora do alcance das regras impostas pela Prefeitura do Rio.


