A inflação no Brasil perdeu força na primeira quinzena de julho e ficou abaixo do esperado pelo mercado, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado reforça a expectativa de que o Banco Central reduza novamente a taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
Nos 12 meses encerrados em julho, a inflação ficou em 4,52%, abaixo dos 4,80% registrados no levantamento anterior. O índice também ficou menor do que a previsão dos economistas, que esperavam uma taxa de 4,67%.
A meta de inflação definida pelo Banco Central é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o índice continua dentro do intervalo considerado aceitável.
Na primeira metade de julho, os preços subiram apenas 0,06%, uma desaceleração significativa em relação aos 0,41% registrados no mês anterior. O aumento nas contas de energia elétrica foi o principal fator de pressão sobre a inflação no período.
Por outro lado, os preços dos alimentos e das bebidas recuaram 0,66%, ajudando a conter o avanço do índice geral.
Para especialistas, os números indicam que a inflação vem perdendo intensidade. Segundo Liam Peach, economista sênior da Capital Economics, o resultado abre espaço para que o Banco Central faça um quarto corte consecutivo na taxa de juros, reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima semana.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, também avalia que o cenário favorece novas reduções nos juros. De acordo com ela, além da queda da inflação, outros indicadores mostram que a pressão sobre os preços vem diminuindo.
Apesar disso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou recentemente que ainda é preciso cautela. Segundo ele, fatores como o mercado de trabalho aquecido, a atividade econômica resistente e as incertezas no cenário internacional exigem atenção antes de acelerar o ritmo de redução dos juros.
A Selic está atualmente em 14,25% ao ano. Em junho, o Copom promoveu o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, mas evitou antecipar qual será sua decisão na reunião de agosto.


